Texto por Carlos Augusto Monteiro.


Shows de rock em geral são experiências que mexem com nossos sentimentos e deixam os nervos à flor da pele, para o bem e para o mal. Dependendo do momento em que se vive, pode ser a celebração de uma grande felicidade ou uma reflexão de períodos difíceis. Isso acontece especialmente se o show é de uma banda com a qual você tem uma forte ligação. 

 

 

Pois hoje completa-se um ano do último show do Bon Jovi que assisti até o momento, o 15º da minha vida, uma experiência bastante intensa, porém não tão feliz. 

 


Meu pai faleceu em 19 de setembro de 2017, após anos em um processo de depressão, que se transformou em um processo de senilidade que o fez desistir da vida e se entregar.

 


Dois dias depois começou o segundo fim de semana do Rock in Rio 2017, na verdade em uma quinta-feira, com Alice Cooper no palco Sunset, e Def Leppard e Aerosmith no palco Mundo. 

 


Eram três atrações que eu queria MUITO ver. Só havia visto uma combinação tão perfeita acho que em 1994, com Poison e Aerosmith, no saudoso festival Hollywood Rock. 

 


Além dessa expectativa positiva, eu iria ao show com os queridos Patricia Giovanetti (equipe do CMM) e Daniel Martins (ouvinte do CMM), que veio de Porto Alegre para curtir o festival. 

 

 

Por isso, passado o choque inicial da perda de meu pai, decidi que não faria sentido deixar de ir aos shows. E após um processo doloroso e triste da doença dele, eu precisava mesmo espairecer e valorizar o que a vida tem de bom.

 

 

Assim, as apresentações do dia 21/09/2017 foram incríveis e extremamente felizes, apesar daquele sentimento amargo da recente perda na minha vida. Meu coração hard/farofa reencontrou essas bandas maravilhosas, em shows carregados de hits, grandes visuais, boa música, nostalgia e emoção. 

 

 

Mas o dia 22, do Bon Jovi, não foi bem assim. Para começar, o Rio de Janeiro enfrentava um período de tensão, por conta da guerra entre traficantes na comunidade da Rocinha, que culminou com uma operação do exército para tentar acalmar os ânimos. Antes de irmos ao show, me perguntava se deveria mudar o trajeto, deixar de ir no ônibus especial do Rock in Rio, alugar asa delta, sei lá. 

 

 

Afinal, fomos no ônibus do festival e, dentro do túnel que leva à Barra, o veículo foi ultrapassado por vários caminhões do exército que seguiam para a Rocinha. Ansiedade é pouca coisa, gente!

 

 

Chegando à cidade do rock, encontrei Patty e Daniel e fomos todos curtir o show do Jota Quest. Falem o que quiserem da banda, mas eles sabem transformar qualquer lugar em um bailão pop.

 

 

Aqui, faço um disclaimer. Já faz tempo que eu não gosto de ficar o tempo todo parado em algum lugar durante um show. Nem em pista vip de lugares pequenos eu fico sempre no mesmo lugar. Prefiro ficar circulando e assistindo o show de vários ângulos. Assim, não corro o risco de assistir de só um lugar e experimento várias oportunidades de curtir o espetáculo. 

 

 

Junte-se a isso o fato de que eu não estava muito animado para ver Bon Jovi sem Richie Sambora pela terceira vez. E ainda mais com o repertório dos shows recentes e, pior ainda, com a voz (?) atual do Jon.

 

 

Mesmo assim, era Bon Jovi na minha cidade, e eu não ia perder.

 

 

Só que minha esposa, muito mais fã do Jon que eu, cismou que queria ficar bem na frente. E aí preferi que cada um curtisse o show do seu jeito, em locais diferentes. Sem ressentimentos, já fizemos isso em outros shows, e eu queria a oportunidade de circular mais pela cidade do rock, inclusive porque queria encontrar meus amigos e amigas paulistas fãs de Bon Jovi de SP, com quem já vivi inúmeras aventuras ligadas a banda e que não via há bastante tempo.

 

 

Tive que separar também de Patty e Martins, que estavam a postos na frente para assistir Tears for Fears. Peço desculpas, mais uma vez, amigos! But I had to go!

 

 

Consegui encontrar meus amigos e amigas de Sampa mais para trás e foi maravilhoso estar com eles por um tempo. A maioria conhecia meu pai pessoalmente, e receber esse consolo generalizado de amigos queridos, muitos abraços e sentimentos, foi muito bom para mim. 

 

 

Começou o show do Alter Bridge e, como parte dessa galera é fã deles, o grupo se dispersou de novo.

 

 

Segui meu caminho, pois eu e Chagas (equipe do CMM e canal Riff) tínhamos pré-combinado de se encontrar, e fazer alguma filmagem para o Canal Riff juntos. Depois de alguns desencontros, consegui marcar com ele, que gravou meu depoimento sobre a expectativa para o show do Bon Jovi. Você pode assistir neste link.

 

 

Tive ainda a oportunidade de encontrar outros amigos fãs de Bon Jovi, daqui do Rio. Foi legal estar com eles nesse dia.

 

 

E segui na minha peregrinação. Eu sentia que precisava mesmo ficar um pouco sozinho comigo mesmo. 

 

 

Conscientemente eu não sabia, mas hoje entendo que essa busca era reflexo da morte do meu pai, como se eu estivesse tentando encontrar algo que justificasse aquela tristeza, tão bem escondida. 

 

 

Veja bem, eu não tenho problema nenhum em ver show sozinho. Já assisti vários, inclusive do Bon Jovi. Mas, embora eu tivesse buscado por aquela situação, não era um bom dia para esta tática. Tanto pelo show que não seria tão bom, quanto pelo meu estado de espírito.

 

 

E foi aí que me comuniquei com Patty e Daniel, que estavam mais para trás, na cidade do rock. O local estava mais cheio que no dia anterior e bem difícil de circular. Mas isso não foi impedimento para estes amigos incríveis que se deslocaram até onde eu estava para ficar comigo. Parece que estavam sentindo que algo não estava bem. Sou muito grato a eles por isso.

 

 

Poder curtir parte do show com Patty e Daniel foi bem divertido porque tirou dos meus ombros o peso de ser um show do Bon Jovi. Eu podia interagir com eles, enquanto assistia à banda executar alguns clássicos, como “Raise your Hands”, “Runaway” e “It´s my Life”, e aturar outras músicas mal escolhidas para o setlist, como “Because we can” e .”We Got it going on”.

 

 

Devo dizer que todas essas emoções (estar afastado da minha esposa, reencontrar o consolo de amigos queridos, dar meu depoimento sobre a expectativa para o show e ser confortado pela presença de Patty e Daniel) mexeram muito com meu coração e cabeça.

 

 

A presença da Patty e do Daniel foi algo que me manteve são e de pé. Lá para o meio do show, saímos de onde estávamos, eles foram fazer outras coisas e eu aproveitei que a frente estava mais vazia e me posicionei melhor, mais próximo de onde a Isabel estava. 

 

 

Dali vi a parte final do show, que não foi uma maravilha, mas ok, eu estava mais conformado, com tudo. 

 

 

O show acabou e fui para onde estava a Isabel, lá na grade. Super feliz.

 

 

E, vejam vocês, ainda encontrei o Thiê Rock, da Lionheart, próximo dali!

 

 

Ou seja, uma noite de muitas emoções. Valeu a experiência!

 

 

Pai, onde você estiver, quero que saiba que valeu a pena o tempo que partilhamos. Obrigado por todos esses anos de convivência, da melhor maneira que pudemos.