Texto por Carlos Augusto Monteiro.

 

 

Ah… a juventude… Como é bom ver quando um gênero que você é muito fã, mesmo tendo sido quase eliminado nos anos 90, permanece bem e vivo entre a nova geração. Foi essa constatação a que cheguei ao assistir ao show da banda finlandesa Shiraz Lane na última quinta-feira, no Rock Experience, na Lapa.

 

Além do Crashdiet, eu nunca tinha visto nenhuma banda dessa leva ao vivo. O Santa Cruz, que esteve no Brasil recentemente, foi apenas a São Paulo. E de fato a popularidade desse tipo de grupo não é muito forte no Rio. A casa onde o Shiraz Lane se apresentou é pequena e, mesmo assim, não deveria haver nem 100 pessoas no local.

 

Mas hard rocker farofa que se preze já sabe que o gênero é extremamente underground no Rio. E o dia em que popularidade for sempre sinônimo de qualidade… bem, esse dia nunca vai chegar.

 

Dito isso devo dizer que a tocha do glam metal está bem acesa nas mãos do Shiraz Lane. Fundada na cidade de Vantaa, em 2011, a banda foi fundada pelo cantor Hannes Kett e pela baterista Ana Willman. Mais tarde, o guitarrista foi Miki Kalske e o segundo guitarrista, Jani Laine. Sim, o nome artístico do cara é Jani Laine, com “i” no segundo nome. Apenas para diferenciar um pouquinho do lendário vocalista do Warrant, morto em 2008. Em 2014, juntou-se à banda o carismático baixista Joel Alex.

 

Com dois álbums lançados (“For crying out loud” e “Carnival days”), a banda segue o instrumental de tantas outras que despontaram nos países escandinavos desde o início da década de 2000: um hard rock cheio de influências das bandas dos anos 80 e 90, uma produção caprichada, vídeos divertidos e muita vontade de fazer música.

 

A influência de veteranos do glam metal é tanta que rolaram trechos de covers de Skid Row (“18 and Life”), Def Leppard (“Pour some sugar on me”) e Survivor (“Eye of the tiger”).

Mas o repertório próprio dos caras é ótimo. Destaque para “The Crown”, “Mental slavery”, “Tidal wave”, “Hard to Breathe” e “People like us”, todas executadas no show.

 

O vocalista tem uns tiques de Robert Plant no jeito “malemolente” de cantar e o restante da banda também capricha na presença de palco. Dá para ver que estão se divertindo muito. É por isso que o glam metal precisa muito de ter sempre gente jovem no gênero. É um tipo de música em que a juventude faz muita diferença.

 

O show de abertura ficou apropriadamente a cargo da banda carioca Lion Heart, do onipresente Thiê Rock. Além do repertório próprio, com músicas-chiclete como “A noite me chamou” e “Dona do bordel”, o grupo contou ainda com participações especiais, como a do guitarrista do Pleasure Maker, Alex Meister. A estratégia de usar participações foi também porque o guitarrista do Lion Heart, Brandon, estava de perna quebrada, o que não lhe impediu de tocar as últimas canções do show com a banda, sentado em uma cadeira, porém bastante animado.

 

Antes do Lionheart, o show ficou a cargo dos Crazy Heads com bastante punch no seu som meio hard rock, meio heavy metal. Outro exemplo de que tem garotada muito esforçada fazendo um bom hard por aí.

 

Amém.

 

SETLIST SHIRAZ LANE

 

  1. Revolution
  2. The Crown
  3. Mental Slavery
  4. Mama´s Boy
  5. Carnival Days
  6. Story to Tell
  7. Shot of Life
  8. 18 & Life + Same Ol´Blues
  9. Do You + Jam
  10. Tidal Wave
  11. Reincarnation
  12. Hart to Breathe
  13. People Like Us