Texto por Carlos Augusto Monteiro.

 

 

Garantia de repertório cheio de hits para relembrar e cantar junto, o show do canadense Bryan Adams é uma experiência com 100% de certeza de diversão. Apenas dois anos após o último show no Rio de Janeiro, o guitarrista e cantor se apresentou neste sábado (19/10) para uma Jeunesse Arena com um público reduzido, porém fiel.

 

A configuração da arena parecia estar limitada a cerca de um terço da capacidade total dos seus 18 mil lugares, impressão amplificada pelo palco de grande profundidade com enorme telão. Mas a animação do músico e a interação com a plateia foram dignas de um estádio cheio.

 

Trata-se da turnê mundial do novo álbum “Shine A Light” no Brasil, que, após shows na Costa RicaPeru e Argentina, o levou a São Paulo (18) e ao Rio, de onde parte para se apresentar no Chile, nesta terça (22).

 

Bryan Adams foi bastante comunicativo, inclusive em português. Em determinado momento, ele anunciou que haveria um concurso de dança. Várias pessoas da plateia foram filmadas e apareciam ao longo da canção no telão ao vivo, requebrando-se nos estilos mais loucos. A trilha sonora foi o rock estilo antigo “You  belong to me”, do álbum anterior, “Get up”.

 

As canções desse e do último álbum até estiveram presentes, mas a maior parte do repertório, claro, foi de clássicos como  “Can't Stop This Thing We Started”, “Run to You”,“(Everything I Do) I Do It for You”, “Have You Ever Really Loved a Woman?”, “Cuts Like a Knife, e “Please Forgive Me”

 

Claro que a balada “Heaven”, uma das melhores da música pop, estava lá e teve sua primeira parte toda cantada pelo público. Certamente um dos grandes momentos do show.

 

Novas e antigas canções, aliás, seguem o mesmo estilo de rock radiofônico, sem chance de desagradar. E a voz rouca continua boa, talvez porque não se entrega a arroubos, mas ainda assim segura bem e em bom volume.

 

Como sempre o guitarrista Keith Scott arrasando nos solos, um músico subestimado. Se fosse integrante de uma banda de fato talvez fosse mais valorizado, mas sua fidelidade a Bryan remonta dos anos 80 e o hoje “tiozão” cumpre seu papel muito bem. Bryan tem sorte de tê-lo no time. O duelo entre chefe e funcionário chega a um auge na surpreendente disputa de solos em “It´s only love”, digno dos maiores show de rock. É nessas horas que a gente vê que Bryan Adams terá mesmo 18 anos até morrer, como diz o título de outro sucesso executado (“18 till I die”).

 

Curioso que o show não teve bis, “encerrando” com o petardo apoteótico “Summer of 69”. Escolha muito boa essa, aliás, de deixar o grande hit para o final, já que no show de dois anos atrás estava mais no meio. Bryan então emendou logo na parte acústica final com a bela “Straight from the heart”, “Let´s make a night to remember” e “All for one” (aquela do dueto com os também roucos Sting e Rod Stewart.

 

E foi assim, com esse show de rock palatável e certeiro que Bryan Adams manteve seu reinado no coração do público carioca, mesmo que em baixo número. Fica a esperança de que ainda retorne por aqui nos próximos anos.

 

Setlist:

1.         The Last Night on Earth

2.         Somebody

3.         Can't Stop This Thing We Started

4.         Run to You

5.         Shine a Light

6.         Heaven

7.         Go Down Rockin'

8.         It's Only Love

9.         Cloud #9

10.       You Belong to Me

11.       Have You Ever Really Loved a Woman?

12.       Here I Am

13.       When You're Gone

14.       (Everything I Do) I Do It for You

15.       Back to You

16.       The Only Thing That Looks Good on Me Is You

17.       Cuts Like a Knife

18.       18 til I Die

19.       Please Forgive Me

20.       Summer Of '69

21.       Straight From the Heart

23.       Let's Make a Night to Remember

24.       All for Love