Texto por Carlos Augusto Monteiro e fotos por Patrícia Giovanetti.

 

 

Enquanto vovô Gilmour economiza nos shows, Roger Waters não para quieto e leva seu ativismo e celebra a obra do Pink Floyd por todo o mundo.

 

E o cara sabe apresentar um espetáculo. Consciente de sua limitação vocal e a fama de rabugento, que provocou a ruptura do Pink Floyd por um tempo, Waters se dedica a causar, e muito.

 

Para ele, não basta tocar “Pigs”, do álbum Animals, tem que colocar um porco gigante voador em pleno estádio. Não basta ter um telão para verem o show, o telão É O SHOW. Tanto que a banda fica sempre na penumbra, recolhida em uma pequena parte do imenso palco.

 

 

E olha que é a quarta vez que ele vem ao Brasil com esse tipo de espetáculo, desde ln the Flesh, em 2002. De lá para cá foram outras três vindas, contando com a atual, que passa por várias cidades.

 

Em 2007, a base era o Dark Side of the Moon, enquanto que em 2012 foi a vez de The Wall. Pois agora, a tour Us & Them resgata canções de Animals, baseado no livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, uma metáfora para o fascismo e o comunismo.

 

E ativismo é o que não falta nos shows e na vida particular de Waters. Aqui no Brasil ele deu a sorte (ou azar) de aparecer no meio de uma corrida eleitoral das mais estressantes e polarizadas que já vimos. No show, não aparece mais a a polêmica mensagem no telão contra o candidato líder nas pesquisas para a presidência, coberta com uma tarja justificando como censura sobre posição eleitoral. Também não aparece mais a hashtag contra o mesmo candidato. Mas, pelo menos no Rio, a grande maioria da plateia expressou seu descontentamento com o candidato, o que fez com que a postura politica de Waters fosse bem recebida. Tanto que o baixista chegou ao ponto de comentar o assassinato da vereadora Marielle Franco e recebeu sua companheira e irmã no palco, cobrando justiça para o caso. O coro das crianças em Another Brick in the wall part. 2 também era formado por 12 crianças e adolescentes de favelas do Rio do projeto EducaGente. Durante toda a canção Pigs, imagens de Donald Trump foram ironizadas no telão.

 

 

Mas, ativismo à parte, a música e o espetáculo são superiores a qualquer orientação politica.

 

Destaque para a impressionante aparição da fábrica da capa de Animals na segunda parte do show, que serviu de telão para o restante da apresentação.

 

O setlist combinou as canções do Dark Side of the Moon com quatro do mais recente álbum solo de Waters (ls this the life we really want – que tem episódio do CMM), mais duas do Animals, duas do Wish You Were Here e, claro, o trecho mais famoso de The Wall, com  de  Another Brick in the wall part 2.

 

Para fechar, a apoteose final de Confortably Numb que, junto com Us & Them e a dobradinha Brain Damage e Eclipse foram dos momentos mais emocionantes do show. Tão emocionantes que a experiência ao vivo é mesmo indescritível.

 

Se tiver a oportunidade, faça como eu, Patricia Giovanetti, Ciro Messias,  Estevão e outros ouvintes do CMM que estão curtindo esta turnê. Afinal, falou em Pink Floyd, falou em Crazy Metal Mind.

 

 

SETLIST:

 

Set 1:

Speak to Me

Breathe

One of These Days

Time

Breathe (Reprise)

The Great Gig in the Sky

Welcome to the Machine

Déjà Vu

The Last Refugee

Picture That

Wish You Were Here

The Happiest Days of Our Lives

Another Brick in the Wall Part 2

Play Video

Another Brick in the Wall Part 3

Set 2:

Dogs

Pigs (Three Different Ones)

Money

Us and Them

Smell the Roses

Brain Damage

Eclipse

Encore:

Mother

Comfortably Numb