Texto por Guilherme Calciolari.

 

Dia 12 de agosto de 1968, em Londres, quatro rapazes tocaram juntos pela primeira vez, no que viria a se tornar o Led Zeppelin, que neste ano completa 50 anos de vida.

 

Para abrir as comemorações, a ideia é apresentar dez canções desconhecidas do grande público. Assim, estão excluídas da seguinte lista todas as 20 músicas mais buscadas no letras.mus.br, além daquelas que estão na coletânea Mothership, e também as que aparecem nos álbuns ao vivo The Song Remains The Same e How The West Was Won, ou seja, trinta e oito canções.

 

Sim, limitou bastante, mas essa é a ideia. Depois de 38 músicas, o que mais o Led Zeppelin pode oferecer?

 

You Time Is Gonna Come:

 

Quinta faixa do primeiro disco da banda, é a música que apresenta John Paul Jones como mais do que um baixista, tocando um belíssimo órgão de igreja, usando um pedal para gerar o som do baixo. A bateria de John Bonham aparece pela primeira vez para trazer o restante da banda para a música, e toca muito mais pesada do que se poderia pensar durante o suave refrão. O Slash diz que essa é sua música preferida do Led Zeppelin, e não é tão difícil entender o motivo.

 

The Lemon Song:

 

Riff marcante, groove delicioso, tudo devidamente roubado na cara dura de músicas de Howlin’ Wolf e Robert Johnson. Mas a seção de blues no meio é das melhores da carreira do Zeppelin, com Jones e Bonham brincando o vocalista Robert Plant bate um papo com a guitarra de Jimmy Page. Dos 2:25 aos 5:25, talvez meus três minutos preferidos da banda.

 

Living Loving Maid (She’s Just a Woman):

 

O Led Zeppelin não era muito de lançar singles. Então, quando Living Loving Maid saiu como lado B do single Whole Lotta Love em 1969, acabou sendo bastante tocada em rádios também. Como vem logo depois de Heartbreaker no álbum II, também pegou carona quando os radialistas decidiam tocar ambas em sequência, em sete minutos de puro rock and roll. Mas ao vivo nunca foram tocadas em sequência, já que Page odiava a música.

 

Tangerine:

 

Quase Famosos, o melhor filme sobre rock da história, termina com Tangerine tocando enquanto Doris, o ônibus da banda Stillwater, pega a estrada para mais uma turnê. É um clima que combina bem com a música, quase um country, com a guitarra slide complementando o violão. É mais um auto-plágio, já que Page basicamente mudou a letra da música Knowing That I’m Losing You, que havia escrito para o Yardbirds antes de formar o Led Zeppelin.

 

Battle of Evermore:

 

Única canção da banda a contar com um vocalista convidado, a voz feminina é de Sandy Denny. A letra é uma mistura de história escocesa, Senhor dos Anéis e as lendas do Rei Arthur, e Plant faz as vezes de narrador, enquanto Denny é o arauto da cidade. Page compôs a música em um mandolin, instrumento que nunca havia tocado antes, e Plant em poucos minutos já tinha a letra pronta. Denny ganhou um símbolo próprio no encarte do quarto disco da banda.

 

The Rover:

 

A música conta a história de um andarilho que conhece o mundo todo, muito apropriado para a saga que a canção atravessou. Inicialmente uma música acústica, composta para o disco III, acabou sendo deixada de lado. Nas sessões de Houses of the Holy passou a ser tocada em guitarra elétrica, mas ainda não foi o bastante. Foi para o lançamento do Physical Graffiti que a Page trabalhou em dois brilhantes solos, um no meio e um no final, e finalmente The Rover chegou ao que conhecemos hoje. As linhas de guitarra e as pauladas da bateria são das mais subestimadas da banda.

 

Down By The Seaside:

 

Outra sobra que começou acústica, Down By The Seaside era para estar no disco IV, mas não era boa o bastante. Quando foi repaginada para o Physical Grafitti, ganhou a guitarra slide que garante a vibração country que abre a música, e os efeitos quase sub-aquáticos após súbita mudança de melodia no meio do caminho. Mais uma que nunca foi tocada ao vivo, dessa vez por causa de Jones, que a detestava.

 

For Your Life:

 

Como todo o álbum Presence, foi gravada com Plant cantando em uma cadeira de rodas, após um grave acidente de carro que quase lhe tirou a vida. A letra de Plant narra o momento em que o vocalista passou a notar o quanto o álcool e as drogas faziam mal aos que o cercavam. Enquanto isso, o drogado Page domina música, desde seus riffs até o solo alucinante, em que pela primeira vez trocava suas Gibson por uma Fender Stratocaster.

 

Fool in the rain:

 

Quando o último álbum do Zeppelin foi lançado em 1979, Page já estava podre de tantas drogas, e Bonham perdido no álcool que contribuiria para sua morte no ano seguinte. Ainda assim, Bonzo continuava arregaçando na bateria, seja na parte mais “pop” da música ou nas seções de samba(!), supostamente inspiradas na torcida argentina durante a Copa do Mundo de 1978. A letra bobinha, contando a história de um rapaz que fica na chuva esperando uma moça para um encontro, para só mais tarde se dar conta que estava no quarteirão errado, só ajuda o sorriso a se formar ao escutar essa delicinha.

 

I’m gonna crawl:

 

A última música do último álbum do Led Zeppelin. Enquanto outros discos fecharam mais alegres, o In Through The Out Door encerra melancólico (somente o Presence fecha com outra música “lenta”, mas mesmo Tea For One soa quase um hard rock em sua introdução), com Plant aparentemente aceitando que os agudos não são mais os mesmos – exceto em dois urros doloridos-, e Page tocando um lindíssimo solo no que parece uma mistura de blues com valsa. Mesmo no seu disco mais fraco ainda podiam fazer uma música com toda essa força. E assim se calou a melhor banda de todos os tempos.

 

Músicas eliminadas: Good times bad times, Communication breakdown, Dazed and confused, Babe I’m gonna leave you, Whole lotta love, Ramble on, Heartbreaker, Immigrant song, Since I’ve been loving you, Rock and roll, Black dog, When the levee breaks, Stairway to heaven, The song remains the same, Over the hills and far away, Dyer maker, No quarter, Trampled under foot, Houses of the holy, Kashmir, Nobody’s fault but mine, Achilles last stand, In the evening, All my love, Thank you, Going to california, The rain song, Ten years gone, I cant quit you baby, That’s the way, Bron-Yr-Aur stomp, Walter’s walk, The crunge, What is and what should never be, Dancing days, Moby dick, The ocean, Bring it on home