Come Taste the Band.

Data: 09/11/2017

 

Por Daniel Ribeiro.

1975: Led Zeppelin lança o clássico Physical Graffiti, Queen lança a obra prima A Night at the Opera, Pink Floyd nos apresenta seu melhor álbum (Wish you Were Here), Sabbath lança o subestimado Sabotage e o Deep Purple lança o excelente COME TASTE THE BAND.

Nesse ano, o Purple estava enfrentando o complicadíssimo dilema de substituir um dos guitarristas mais influentes do rock, e tinha que lançar algo de qualidade para compensar o mediano Stormbringer, de 1974 – à época o último álbum do Blackmore, antes de se juntar ao Dio, recém saído do ELF para formar o Rainbow. Aparentemente, a grande razão da saída do guitarrista da banda foi a insatisfação com Stormbringer (eu também teria feito a mesma coisa), que chegou a ser chamado de “lixo” pelo genial Richie Blackmore. Após sua saída, o DP encontrou um substituto, Tommy Bolin, que já tinha uma relativa fama nos anos 70, principalmente nos EUA. Com a nova banda formada, o agora conhecido como MK IV parte para a gravação do 10º álbum da banda com Bolin na guitarra, David Coverdale nos vocais, Glenn Hughes no baixo e vocais, John Lord no teclado e Ian Paice na bateria.

O álbum saiu em Outubro de 1975 e mostrou uma semelhança muito grande de sua sonoridade com a dos outros 2 álbuns anteriores, da formação MK III. Os elementos de funk trazidos para a banda pelo Coverdale e Glenn Hughes ainda eram bastante perceptíveis, bem como os revezamentos nos vocais, sendo que nesse disco Hughes cantou apenas 3 das 9 músicas: Gettin’ Tighter, This Time Around e You Keep on Moving. A única diferença realmente notável no som desse disco em relação aos anteriores é a guitarra de Tommy Bolin, que eu destaco, particularmente, na música de abertura, Comin’ Home. O seu estilo único encaixou perfeitamente no som mais “funkeado” da banda e nos rendeu licks saborosíssimos e solos impressionantes, sendo um dos grandes destaques do álbum. Outra coisa que surpreende é a sua qualidade como compositor, sendo creditado em quase todas as músicas do disco. Impressiona a forma com que ele chegou na banda, desempenhou um papel tão importante e pareceu não sentir o peso da camisa que herdou do Richie Blackmore.

Apesar de não ser uma faixa de abertura tão explosiva quanto Burn, Comin’ Home é excelente e define o tom para o resto do álbum. A seguinte, Lady Luck, é uma das músicas mais memoráveis do disco e mostra que a banda continua focada no melhor do Hard Rock, seguindo o ritmo da música anterior. Na verdade, nessa obra eles voltam ao Hard Rock que havia sido deixado um pouco de lado no Stormbringer, voltando à mesma pegada do Burn, que fora lançado 1 ano e meio antes. Dito isto, o álbum se move para um território mais funk na faixa seguinte, Gettin’ Tighter, a primeira das cantadas pelo maravilhoso Glenn Hughes.

Talvez para os fãs mais raiz, as três primeiras faixas sejam as mais fortes e memoráveis do álbum, se compararmos com a sequência, bem menos marcante, o que não quer dizer que não haja mais destaques, bem longe disso! Dealer é um funk rock bem definido e que apresenta uma contribuição vocal de Tommy Bolin, que apresenta umas linhas de guitarra bem características e complementa perfeitamente a banda na faixa seguinte, The Drifter. Pra mim, a maior surpresa do álbum vem em seguinda: This time Around, que incorpora uma peça instrumental chamada Owed to “G”. A faixa é perfeita, com um vocal meio Soul de Hughes, e um piano que dificilmente seria associado ao Deep Puple (e Jon Lord); porém, essa combinação criou uma das melhores músicas do álbum (e talvez da banda), complementada por um instrumental que faz a música terminar num clima bem pra cima. A faixa de encerramento, You Keep on Moving é bem suave e fecha a cortina desse espetáculo com um dueto vocal de Hughes e Coverdale, sendo a minha música favorita do disco e, facilmente, top 5 da carreira do Purple.

Se considerarmos tudo que cercou esse álbum, o Come Taste the Band é um disco muito relevante na discografia do Purple, tanto em termos de composição quanto de musicalidade, e é uma jóia esquecida no meio de tantos discos fantásticos da banda inglesa. Infelizmente, esse seria o único disco gravado pelo Mk IV e sinalizaria um posterior declínio do Deep Purple como uma das maiores e mais influentes bandas de rock de todos os tempos.

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