Megadeth presenteia público carioca com show matador

Data: 06/11/2017

Por Carlos Augusto Monteiro. Fotos: Marcos Queiroz.

Não é surpresa para ninguém que o Megadeth é minha banda favorita de thrash metal. Junto com o hard rock dos anos 80, cresci ouvindo também algumas das bandas desse gênero mais pesado e que fizeram sucesso naquela década. Sempre gostei da garra (ou rancor, conforme foi discutido no excelente episódio com a participação do Gaveta) que seu líder Dave Mustaine (guitarra e vocal) demonstrou ao longo dos 34 anos de existência do grupo.

Expulso do Metallica supostamente por estar "fora de controle" com o uso de drogas e bebiba (quem nunca?), Mustaine formou o Megadeth, que viria a se tornar um dos Big 4 do thrash. E foi essa banda veterana e calejada que adentrou o palco da casa de shows Vivo Rio no dia 1º de novembro, com capacidade total para 5 mil pessoas, tamanho compacto e boa acústica. Não deu para ver como estava a lotação na parte de cima da casa, mas a pista estava bem cheia, o que é sempre uma felicidade para qualquer banda de rock.

E o público carioca, que não via o Megadeth há quatro anos, desde que abriram para o Black Sabbath em 2013, estava com saudades de ver um show completo da banda. Ainda mais com a presença ilustre do guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, integrante oficial desde 2015.

Este carioca que vos escreve, em particular, estava ainda mais saudoso da banda. Por motivo de viagem não pude estar no show de 2013 e não assistia o Megadeth ao vivo há 20 anos!

Para usar um clichê bem gasto, a espera não foi em vão. A bordo de um bom disco, "Dystopia" (2015), o show começou com apenas dois minutos de atraso, às 22h32, com a exibição de um vídeo com "Prince of Darkness" (do álbum "Risk") executada nas caixas de som. As letras que formam Megadeth iam sendo montadas e forjadas a ferro. Quando finalmente a palavra ficou completa, uma explosão foi a deixa para a entrada dos músicos no palco, já chutando todas as bundas do recinto com "Hangar 18", de "Rust in Peace" (1990).

A segunda música foi um single de "Dystopia", intitulada "The threat is real", sobre a realidade que os países mais desenvolvidos vivem, temendo a ameaça constante de ações terroristas. O Megadeth se mostra atual, ainda fazendo boas canções com temas que mostram o pior do ser humano, como manda a cartilha thrash.

Dois clássicos do início da banda vieram em seguida, para deleite dos fãs. "Wake up Dead" (de "Peace Sells…but who´s buying", de 1986) e "In my darkest hour", uma das minhas favoritas, do álbum "So far, so good….so what" (1988).

O Megadeth se sentiu tão à vontade no Rio que resolveu mudar o setlist em relação a show de São Paulo e de Santiago, no Chile, e colocou mais duas músicas do álbum "Dystopia" no setlist. Foram elas a instrumental "Conquer and Divide", com bela introdução de guitarra de estilo flamenco, executada por Kiko Loureiro, e a porrada "Lying in state". São boas canções, mas acabaram ficando de fora "She-wolf" e, pior ainda, a famosa "Skin o´ my Teeth".

Uma pena foi que Kiko Loureiro não troca nenhuma palavra com o público. Chefe Mustaine é que domina todo o tempo as poucas falas com a plateia. 

O show tem ainda várias canções matadoras, como os sucessos “Sweating bullets” (de "Countdown to extinction" – 1992), “Trust” ("Criptic writings" – 1997) e a balada “A tout le monde” ("Youthanasia – 1994), aquela do refrão em francês, aliás cantado em altos brados pela plateia.

E tome clássicos como “Tornado of Souls” ("Rust in Peace") e “Mechanix” ("Killing is my business…and business is good" – 1985). Em todo o tempo, o baixista David Ellefson segura a onda do groove das músicas, acompanhado pelo baterista Dirk Verbeuren, que substituiu Chris Adler, do Lamb of God, após a gravação de "Dystopia".

Na fase final do show, chega a vez da música homônina do último álbum, ganhadora aliás de um do Grammy por Melhor Performance Metal, fato lembrado orgulhosamente por Mustaine antes de sua execução.

E infelizmente é a hora da parte final do show, mas é para ninguém ficar triste e parado: "Symphony of Destruction" ("Countdown to extinction) e  "Peace Sells".

Um pequeno intervalo para o bis e, então, não havia mais dúvidas da canção que fecharia o espetáculo. O maior "hit" do Megadeth: “Holy wars… the punishment dues” ("Rust in Peace").

O show terminou com público extasiado e casa cheia, mostrando que, com preços acessíveis (houve várias promoções), o público carioca comparece feliz e saltitante aos espetáculos de rock que a cidade recebe. E olha que era noite de Fla-Flu no Maraca e show do Green Day no Km de Vantagens Hall.

SETLIST:

1 – Hangar 18

2 – The Threat Is Real

3 – Wake Up Dead

4 – In My Darkest Hour

5 – Trust

6 – Take No Prisoners

7 – Conquer or Die!

8 – Lying in State

9 – Sweating Bullets

10 – A Tout Le Monde

11 – Tornado of Souls

12 – Dystopia

13 – Symphony of Destruction

14 – Mechanix

15 – Peace Sells

BIS:

16 – Holy Wars… The Punishment Due

 

Banda de abertura: Vimic

O show de abertura foi da banda Vimic, projeto do ex-baterista do Slipknot, Joey Jordison. A banda é bastante competente e cujo vocalista, Kalen Chase, lembra o estilo de Jonathan Davis (Korn), indo do gutural ao melódico às vezes na mesma música. O gênero (?) new metal é a praia do Vimic, mas há espaço até para uma canção com influências farofísticas, "In your shadow". O primeiro álbum da banda será lançado em 2018, mas é possível encontrar quatro singles nas plataformas digitais.

 

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