Sepultura: os brazucas mais internacionais do Rock in Rio

Data: 06/09/2017

Por Carlos Augusto Monteiro.

Rock in Rio e Sepultura são nomes que hoje não conseguem se dissociar. É natural que a principal banda brasileira internacional tenha uma ligação forte com o principal festival de música do Brasil, que também já ganhou o mundo faz tempo.

E essa parceira foi sendo construída pouco a pouco, como era de se esperar de uma banda persistente e sobrevivente como o Sepultura.

Claro que na primeira e lendária edição do Rock in Rio nem tinha como a banda participar, já que havia sido formada em 1984, um ano antes de sua realização.

Mas foi incrível já ter participado da segunda edição, em 1991, quando ainda estava gravando aquele que seria um dos seus mais importantes álbuns, “Arise”. Os fãs ainda deram uma forcinha, fazendo campanha para a banda integrar o line up do festival. 

A banda foi escalada para o dia que tinha Guns n´Roses como headliner (em seu segundo show na mesma edição), acompanhado de Judas Priest, Megadeth, Queensrÿche e Lobão, cuja apresentação ficou famosa por  ter sido tumultuada pelos headbangers… 

Lobão tocou depois do Sepultura e os fãs ficaram revoltados por ter visto tão pouco da banda e ter que “aturar” o show seguinte. O cantor chegou achando que ia abafar, tomou chuva de objetos, e ainda abusou, colocando a bateria da Mangueira para fechar a apresentação. Fiasco total.

O show do Sepultura foi bem curto, apenas 30 minutos e com oito canções dos primeiros álbuns (“Primitive Future”, “Inner Self”, “Mass Hypnosis”,  “Under Siege (Regnum Irae)”, “Troops of Doom” e “Beneath the Remains”), acompanhadas do famoso cover de “Orgasmatron”.  Para aproveitar a atenção que a mídia dava ao quarteto por causa do evento, a banda inclusive decidiu lançar uma versão pré-mixada de Arise, que tinha como faixa bônus a  canção do Motörhead.  

A segunda participação do Sepultura no Rock in Rio foi justamente com a volta do festival, dez anos depois. Nessa época, em janeiro de 2001, o Sepultura já vinha com o competente e carismático Derrick Green nos vocais, mas ainda enfrentava parte do público ainda resistente ao novo integrante, que substituiu Max Cavalera, fora da banda desde 1996. 

Era o início da turnê do disco “Nation”, que viria a ser lançado em março daquele ano, e também  a primeira participação do “Predador” (apelido dado por Andreas Kisser a Derrick) em um grande festival brasileiro. O show foi uma paulada e mostrou que a banda ainda teria uma longa carreira pela frente, além de outras importantes participações no Rock in Rio.
 
Passaram-se mais dez anos sem Rock in Rio no Brasil e, em setembro de 2011, lá estavam eles fazendo um show histórico no Palco Sunset em parceira do grupo francês Les Tambours du Bronx. O show foi encerrado com a participação de Mike Patton (do Faith No More) cantando Roots Bloody Roots com Derrick Green. Era a turnê do disco ”Kairos”. 

O sucesso da parceria com o Tambours du Bronx foi tanto que rendeu um convite para voltarem merecidamente ao Palco Mundo na edição seguinte, em 2013, o que gerou a gravação de um DVD. Além do show com os franceses, eles também  se apresentaram no Palco Sunset, acompanhando o cantor e instrumentista Zé Ramalho.

Esse mês, o Sepultura mais uma vez é a principal atração do Palco Sunset no dia 24 de setembro de 2017, que tem como atração principal do Palco Mundo o Red Hot Chilip Peppers.

A bordo de um álbum muito elogiado, “Machine Messiah” e o documentário "Sepultura Endurance", o Sepultura com certeza passa por ótima fase. No festival, eles farão a estreia de seu novo palco de turnês, com cenário baseado no trabalho gráfico da capa do disco, criada pela artista visual filipina Camille Dela Rosa. 

Esse é mais um capítulo importante dessa história que une Sepultura e Rock in Rio e que, torcemos, ainda vai render muitos momentos memoráveis.

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