Guns n´ Roses e Rock in Rio: uma história de amor e ódio

Data: 18/08/2017

Por Carlos Augusto Monteiro.

Depois de passado o trauma de perder o show do Bon Jovi no Hollywood Rock de 1990 (com 14 anos, meus pais não me deixaram ir!), eu apostei todas as minhas fichas no Rock in Rio 2, no ano seguinte, para ver uma das maiores bandas de todos os tempos e que, naquele momento, estava em excelente forma: o Guns n´Roses.

Sabendo que não me permitiriam ir aos dois dias de show do Guns (eles também fecharam a noite do metal, com Megadeth e Judas Priest), escolhi a primeira apresentação, com Faith No More, Billy Idol (substituindo Robert Plant) e Titãs. Da banda nacional, aliás, eu já tinha visto alguns shows, assim como Lulu Santos e Kid Abelha.

Mas meu primeiro grande show mesmo foi o do Rock in Rio 2.  Só que, inexperiente e “verticalmente desfavorecido”, nem preciso dizer que não consegui ver direito. Só quando Axl subia na parte de cima do palco ou então pelo telão. Mas a emoção foi enorme.

Lá estava eu, no Maracanã, o maior estádio do mundo , e num festival histórico, que só viria a acontecer de novo quase dez anos depois. A terceira edição do Rock in Rio trouxe a banda de volta ao Brasil. “Banda”, entre aspas, é claro. Afinal, já era a formação que tinha Axl Rose e “uns caras aí”.

O show ficou marcado pelo discurso de Axl enaltecendo sua secretária, assistente pessoal e ex-babá do filho da modelo Stephanie Seymor, com quem Axl namorou.  A brasileira Elizabeth, renomeada Beta Lebeis, roubou a cena ao ser chamada ao palco para receber milhares de elogios do ruivo e ser apontada como uma das principais responsáveis por sua volta ao mundo do rock e ao país.

Nesse show, também, Axl já apresentou algumas canções que estariam em “Chinese Democracy”, como a faixa homônima, “Madagascar” e “The Blues”, esta na verdade o primeiro nome para “Street of dreams”.

Outro destaque do show foi a performance dos guitarristas de visual bizarro “Buckethead”, que tocava com um balde do KFC na cabeça e fez um "solo" de nuntchaco, e Robin Finck, ex- Nine Inch Nails, que executou “Sossego”, de Tim Maia. Pois é… esse foi o tom desse estranho show, que talvez até por isso, ficou marcado na história do Rock in Rio.

Mas não podemos esquecer também que as fãs de Axl ficaram extremamente decepcionadas do ruivo ter trocado o famoso shortinho de lycra apertado para uma largadona calça do tipo “Adidas”.

Mais uma vez eu estava lá e tive que aturar Carlinhos Brown (que até foi divertido por causa da famosa chuva de copos de água”), Pato Fu (socorro!), Paparoach (supostamente uma exigência de Axl e chato pacas) e Oasis (show monótono e com a usual má vontade de Liam Gallagher). Além do Guns, o ponto alto dessa noite foi mesmo o show conjunto de Ira! E Ultraje a Rigor (que até virou um DVD das bandas).

Os fãs viveram os anos seguintes já conformados de que, “nunca nessa vida”, iam ver a formação original de volta. O “Guns n´Roses” ainda voltou ao Brasil algumas vezes com outras formações, promovendo o bom “Chinese Democracy” (album que foi tema do episódio número 235 do Crazy Metal Mind). Slash e Duff também vieram separados, respectivamente em sua carreira solo e com o Loaded.

Em 2011, mais Guns n´Roses no Rock in Rio, que voltava a acontecer no Rio depois de 10 anos de ausência. Axl, como de costume, atrasou para caramba e ainda deixou no ar se iria participar, pois a banda toda já tinha chegado e nada do vocalista,  que veio em outro voo, em cima da hora.

Na época, o jornal O Globo resumiu assim a situação: “previsto para começar à 1h10, a apresentação do Guns só iniciou 1h30 depois, com um rechonchudo Axl vestindo uma capa de chuva amarela, óculos escuros e chapéu. O figurino "Pica Pau desce as cataratas" foi se alterando ao longo da noite: o vocalista trocou três vezes de camiseta, colocou casaco de couro, tirou o casaco de couro e mostrou uma coleção de chapéus de fazer inveja ao líder do Jamiroquai”.

O atraso foi motivo de muitas críticas por parte de Roberto Medina, que acusou a banda de  "falta de comprometimento" e "desrespeito aos fãs", tudo negado por Axl, é claro, em comunicado oficial: “A produção inadequada e a chuva foi a causa do atraso no evento”, devolveu.

Justiça seja feita: um grande momento dessa noite foi a tão querida “Estranged”, que, segundo Leôncio, quer dizer, Axl, não era executada há 18 anos ao vivo.

Anos depois, quiseram os deuses do rock que uma banda tão importante não deixaria de se reunir com sua formação (quase) original.

Muito já se falou sobre esta volta, inclusive com um texto emocionante de Daniel Iserhard e uma experiência inesquecível protagonizada por Rômulo Metal no Crazy Metal Show nº 15). Vale lembrar que essa turnê histórica passou pelo Brasil em novembro de 2016, já garantindo um repeteco (agora sim) na próxima edição do Rock in Rio, mais precisamente em 23 de setembro de 2017, menos de um ano depois!

Certamente a expectativa dessa participação do Guns no Rock in Rio é diferente. Não há dúvidas de que ter o trio Axl, Slash e Duff faz toda a diferença. Nem que seja psicologicamente. O carisma desses caras supera – e muito – qualquer talento de integrante que já passou pela banda.

Dessa vez infelizmente não os verei. E a culpa é do Def Leppard, Aerosmith e Bon Jovi, pois todos eles ocupam um lugar maior no meu coração. Mas claro que esse momento histórico não passará despercebido. Arrasado depois de dois dias seguidos de maratona de Rock in Rio, estarei refestelado no sofá, com uma cerveja gelada e banheiro privativo, torcendo e vibrando pela apresentaçao dos gunners. E que eles voltem em uma próxima edição do Rock in Rio!

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