Todo meu respeito ao Nirvana.

Data: 01/08/2017

Por Patrícia Giovanetti.

Nesse último sábado, dia 29 de julho, tive a oportunidade de conferir a exposição Samsung Rock Exhibition “Nirvana: Taking Punk to the Masses”, que acontece até o dia 22 de agosto no Museu Histórico Nacional, aqui no Rio de Janeiro. Com mais de 200 peças, o acervo foi organizado pelo Museu da Cultura Pop em Seattle (MoPOP), e tem como curador Jacob McMurray. Mas não é apenas um monte de peças colocadas  ao longo de um corredor, em que você passa os olhos e acha “interessante”.

Logo na entrada, temos uma explicação sobre a música tocada nos alto-falantes, que é “uma desconstrução quadrifônica contínua de um riff de dois compassos de Come as You Are”. Eu não faço a mínima ideia do que seja, mas sim, a música dá o clima para a imersão.

Inicialmente você faz um passeio por Seattle e toda a musicalidade surgida lá. Ao longo dos corredores, fones são disponibilizados com álbuns das principais bandas que compuseram todo o movimento Seattle Sound. Pearl Jam, Mudhoney, Screaming Trees, Soundgarden, entre tantas outras das quais eu jamais ouvi falar (infelizmente).

Eis que chega uma das partes mais tensas da exposição para mim. Objetos pessoais de Kurt Cobain, juntamente com rabiscos e desenhos. Pode parecer um pouco idiota, mas a energia é meio pesada. Eu sempre achei ele um baita babaca (perdão aos fãs). Sempre o achei descompromissado, fazendo as coisas simplesmente para causar, aparecer. Até aquele dia. Naquele momento, uma certa agonia tomou conta de mim. Deu para sentir por meio daquelas artes, dos rabiscos, sua inquietude, sua raiva, sua vontade de gritar! Acho que o Nirvana serviu como uma válvula de escape para expressar isso tudo enquanto durou. Ficou bem claro que o Kurt tinha a essência do Punk Rock na sua alma. Estilo esse definido pelo mesmo da seguinte forma:

“O Punk é liberdade musical. É dizer, fazer e tocar o que você quiser. Nos termos do [dicionário] Webster, ‘Nirvana’ significa liberdade da dor, do sofrimento e do mundo externo, e isso é muito parecido com a minha definição de Punk Rock.”

E aí comecei a pensar no quão difícil deve ter sido lidar com toda aquela fama repentina e inesperada. O que era para ser uma forma de colocar para fora toda aquela agonia, tomou uma proporção tão grande, que mexeu ainda mais com ele. Krist Novoselic, baixista do Nirvana, dizia que “o Nirvana não foi para o mainstream – o mainstream foi que chegou ao Nirvana”. E temos que concordar que não houve esforços da parte deles para isso. Era a identificação de uma geração com a banda.

Apesar de não ser uma das minhas bandas favoritas, não posso negar a importância dos caras e o “chutar de portas” que deram para que esse mainstream chegasse a todas as outras bandas daquela época.

Infelizmente a válvula de escape virou uma pressão ainda maior e aquele cara de olhos brilhantes deu fim a sua própria vida no auge de sua carreira. Mas o legado do Nirvana ficou e deu direção à uma geração de novas bandas que estavam para surgir.

Voltei para casa com uma certa necessidade de pedir desculpas aquele cara. Desculpe por te achar um idiota durante tanto tempo, e nunca ter tido a sensibilidade de entender seus pedidos de socorro. Sim, eu não faço a mínima diferença para ele. Afinal, eu não o conhecia e tinha apenas 10 anos quando morreu. Mas quantas são as pessoas à nossa volta que julgamos diariamente, assim como julguei ele. Fica o pensamento.

Para finalizar, a amostra conta com bastante interatividade. Entrevistas exclusivas, um cenário da capa do Nevermind com o dólar pendurado para tirar foto, e você ainda pode gravar um vídeo em uma cabine ao som de Smells Like Teen Spirit, que posteriormente é enviado para o seu e-mail. As visitas têm duração de uma hora (contada!), e talvez seja o único ponto negativo dessa belíssima exposição. No mais, RECOMENDO!

SERVIÇO: Samsung Rock Exhibition “Nirvana: Taking Punk to the Masses”

Museu Histórico Nacional

End.: Praça Mal. Âncora, s/n – Centro, Rio de Janeiro – RJ

Período: até 22 de Agosto de 2017 (a partir de 12 de setembro em São Paulo)

Horários de visitação: de terça a sexta, das 10h às 17h30 | Sábado, domingo e feriados, das 13h às 17h

Classificação: 16 anos

Ingressos:

R$25,00 de terça a quinta-feira (R$12,50 meia entrada)

R$35,00 de sexta a domingo (R$17,50 meia entrada)

Site: www.ingressorapido.com.br

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