O álbum que trouxe de volta o blues ao Whitesnake

Data: 31/07/2017

Por Carlos Augusto.

Desde 1993 quando me apaixonei pelo blues assistindo ao Unplugged do Eric Clapton sempre achei o máximo quando o gênero aparecia de forma mais explícita no som das minhas bandas queridas de hard rock.

Eu tive essa imensa felicidade com Restless Heart, o álbum do Whitesnake lançado em 1997 e a cujo show assisti em dezembro daquele ano, vindo a ganhar o CD de amigo oculto no Natal.

O show foi a primeira vez que a banda voltava ao Brasil depois do primeiro Rock in Rio, 12 anos antes. Já o álbum foi o primeiro após o enorme sucesso da sequência de “Slide it In” (1984), “Whitesnake” (1987) e “Slip of the Tongue” (1989), quando o Whitesnake abraçou sem reservas o hard rock mais comercial e investiu como nunca em canções que tinham a palavra “love” em seus títulos e letras.

“Restless Heart” é um trabalho com letras contemplativas e sofridas e com um instrumental bastante calcado no Blues, uma característica mais presentes nos trabalhos iniciais da banda, fruto da herança de David Coverdale após sua saída do Deep Purple.

Foi uma guinada bem diferente da farofada de “Slip of the Tongue”, mas compreensível porque em 1997 os tempos já tinham mudado bastante para as bandas de hair metal, fato bastante conhecido e repetido por quem acompanha a história do rock.

Por conta desse cenário, Coverdale já parecia estar meio de saco cheio de tudo. Emagreceu, cortou o cabelo e pintou de preto. Não queria lançar “Restless Heart” como se fosse um álbum do Whitesnake e sim um trabalho solo. A gravadora não deixou. Resultado? O disco saiu creditado como “David Coverdale & Whitesnake”. Bizarro, é verdade. O próximo lançamento de Coverdale acabou sendo um álbum solo (esse sim) chamado “Into the light” (1998).

“Restless Heart” começa com “Don´t fade away”, cuja narrador da letra diz que está numa encruzilhada, sem saber por onde seguir. E que já passou por tudo na vida, mas seus sonhos e esperanças não se esvanecem.

Inclusive a vibe da canção me lembra “Soldier of Fortune”, de sua época no Deep Purple e que muito apropriadamente encerrava os shows da turnê de “Restless Heart”.

As minhas outras canções favoritas do álbum são a homônima e, principalmente, a dobradinha “Too Many Tears” e “Can´t go on”, ambas deliciosas baladas blues como só o Whitesnake em seus melhores momentos sabe fazer.

O próximo álbum do Whitesake só sairia em 2008, “Good to be Bad”, longos onze anos depois e coincidindo com mais uma vinda da banda ao Brasil, fato que se repetiria mais vezes nos próximos anos. 

Como muitas de sua geração, a banda encontrou um equilíbrio entre o peso e o som comercial, deixando de ser farofa e valorizando mais as raízes musicais de sua origem. Os lançamentos posteriores confirmaram esta tendência, chegando mesmo a lançar um álbum tributo à fase de Coverdale em sua antiga banda, chamado “The Purple Album” (2015).

Não tenho dúvidas de que esse recomeço e a sobrevivência da banda (mesmo com o atual desgaste natural da voz de Coverdale) só foram possíveis graças à existência de “Restless Heart”. 

Além desse mérito, por si só já é um grande e robusto álbum. E que merece reconhecimento.

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