Who’s Next

Data: 21/07/2017

Por Daniel Ribeiro.

Poucas vezes escrevi com tanto prazer sobre um álbum como estou fazendo hoje. Não é porque estou viajando e ouvindo esse disco em loop infinito (com intervalos para ouvir o Sticky Fingers dos Stones), mas é, simplesmente, porque esse é o melhor álbum do The Who e um dos maiores e melhores do Rock n’Roll.

Sinceramente, nunca fui fã do The Who até um professor do curso de inglês, nos idos dos anos 90, nos passar algumas letras da banda nas aulas. Ela não é das minhas favoritas mas posso dizer que fiquei maravilhado com a composição deste álbum. Essa é a beleza desta banda. Eles parecem que não precisam fazer retiros espirituais e enormes esforços para escrever grandes músicas. Eles apenas conseguem fazer acontecer de uma forma diferente de qualquer outra que eu já ouvi (com exceção de MUITAS poucas outras bandas).

Pete, John e Roger se conheceram na escola em aulas de gramática quando eram adolescentes. Depois que John e Pete tocaram numa banda juntos, eles se juntaram a outro grupo onde, na época, Roger estava na guitarra. Depois de abandoná-la pelos vocais, Daltrey convidou os dois, além de recrutar Keith Moon para tocar a bateria. Depois de um ano juntos, a banda finalmente se decidiu em um nome: The Who.

Bom, chega de pregação sobre o quão bom são e sobre quem são. Vamos começar a falar sobre o álbum.

Então, o Who’s Next…

O álbum começa com uma das suas faixas mais memoráveis. Baba O'Reilly é diferente de qualquer coisa que eu ouvi da banda, mas não é uma coisa ruim. Um sintetizador com um som peculiar te deixa um pouco curioso sobre o que virá após. O riff de baixo de três notas que torna esta música famosa segue os sintetizadores. Três notas nunca foram tão atraentes. Depois da palhinha do baixo, ridiculamente atrativa, a bateria de Keith e a poderosa voz de Roger começam a crescer: "Out here in the fields I fight for my meals. I get my back into my living". Esse épico foi dedicado ao conselheiro espiritual de Pete Townshend na época. Moon e seu instrumento preenchem o caminho para uma ruptura repentina na música onde Pete graciosamente canta a letra que todos vão ficar cantarolando depois de ouvir essa música: "Don’t cry, don’t brace your eye. It’s only teenage wasteland". Neste ponto, a melodia do sintetizador mudou para um tom mais alegre. O gancho continua até que um pequeno interlúdio de guitarra dê lugar a um solo de violino nervoso (Ao vivo o Roger sola nota por nota na harmônica). Daí pra frente aguardaremos somente terminar a música e sacramentar que esta é uma das obras-primas desses caras.

O álbum não perde o ritmo. Chegamos em outro hit, Bargain provavelmente a primeira letra que me chamou atenção. Começa com um riff de guitarra bem suave até que a bateria funcione perfeitamente com uma guitarra mais pegada e excelentes vocais. Os versos são bastante curtos, mas os vocais são o que mais atrai os ouvidos das pessoas. "I call it a bargain, the best I ever had. The best I ever haaaaaad “. A bateria é fantástica e o baixo é maravilhoso (Irei repetir isso mais 38 vezes até terminar esse texto). Por volta de 2 minutos, Pete começa a cantar enquanto John faz linhas inesquecíveis junto com Keith, e o verso volta junto com os vocais em de altíssima potência. A guitarra faz um pequeno solo até a volta dos riffs.

A próxima faixa, Love Aint For Keeping, é mais curta, flerta com o blues e é mais leve que as anteriores, combinando violão e guitarra. A voz de Roger está muito mais clara e mais brutal, a bateria continua fora de controle, e chama atenção o ótimo trabalho de guitarra. O comprimento da música é seu ponto baixo, a sensação que dá é que ela é muito curta e poderia ter se transformado em um hit se eles tivessem trabalhado um pouco mais. Mas, ainda assim, é uma música digna de um álbum tão fantástico.

A próxima é única no disco, pelo fato de que toda a música foi escrita por ninguém menos que o próprio John. Sim, Entwistle escreveu essa canção grudenta, My Wife. Surpreendentemente, a música não chama atenção pelas linhas de baixo, que são até legais, podemos dizer. O gancho da música é provavelmente a sua letra sobre adultério. Esta foi outra boa música que foi interrompida pelo tempo, seu ponto alto é o desempenho vocal. Uma boa música, nada espetacular ou comprometedor.

Agora uma drástica mudança de ritmo. The Song is Over parece quase uma balada de Elton John no início, com o piano e a voz suave de Pete. Mas depois de um minuto e meio, Keith e Roger entram avassaladores, com vozes crescentes e baterias selvagens, complementados por uma linha de baixo profunda. A vibe de Elton John volta depois, com alternações de ritmo e Roger e Pete trocando os holofotes. A bassline de Entwilstle é quase percussiva, contribuindo muito para o bom funcionamento das melodias. É uma faixa muito legal.

Getting in Tune tem baterias bem mais suaves do que o resto do álbum e a voz do Daltrey continua forte e marcante. Essa música tem letras bem mais obscuras e sinceras, e quem dá o tom mais pesado à música é o desempenho excelente da guitarra e o baixo tocando uma contra-melodia. O groove não diminui, e continua com a combinação da bateria, solos de guitarra e um teclado muito legal enquanto o Roger cantarola. Ótima música.

Outra música com pegada de blues é Going Mobile. Nesta faixa temos Pete cantando e belas guitarras e riffs durante os versos, além de algumas pequenas experimentações no instrumento. Essa música parece saída diretamente do final dos anos 50. O que me chama atenção é que é uma música bem tranquila com uma bateria louca, implacável. É meio estranho, mas funciona bem. Uma canção diferente mas bem legal.

Estas duas músicas seguintes são provavelmente as melhores, bem como as mais famosas do álbum, começando com o hit definitivo e eterno, Behind Blue Eyes. Se você ainda não ouviu essa canção, provavelmente você nasceu ontem (ou é surdo). Foi uma ótima faixa que foi destruída, e você pode agradecer ao Limp Bizkit por sua versão ridícula. A versão que vale à pena ser ouvida começa com uma melodia de guitarra acústica leve e alguns versos emocionais que todos conhecem e cantam junto. O refrão é sensivelmente sincero, com frases como “But my dreams, they are as empty as my conscience seems to be". Sim, é uma música linda. Por volta do meio dela, o ritmo acelera e a voz de Roger aparece maravilhosamente até que eles desaceleram e mudam silenciosamente para o verso final de um dos maiores hits dos anos 70.

A última faixa do álbum é definitivamente minha favorita, e possivelmente minha música favorita da banda. Nada mais nada menos que o clássico Won’t Get Fooled Again. São 8 minutos de orgasmos musicais. Começa com um sintetizador, até que a guitarra e o baixo explodem com um grande riff, rugindo e definindo com toda a potência da voz de Roger. Você pode até não ouvi-lo exatamente, mas certamente pode sentir a linha de baixo. Se você tiver a chance de ouvir o baixo por si só nesta música, você ficará maravilhado. Ainda me pergunto como as mãos de John poderiam se mover tão rápido. A bateria não fica de fora, mantendo o absurdo nível da banda e soando excelente. Os refrões são enérgicos com algumas letras bem descomprometidas e, em geral, a sensação de diversão, de que eles realmente estavam tendo prazer em fazer aquilo. Ainda podemos falar do baixo fazendo uma contra-melodia, também. É muito bom. Há uma seção de jam session nessa música, de atingir a perfeição, e parecia que aqueles 4 caras eram movidos por um combustível completamente diferente de nós, os meros mortais. Este é The Who no seu melhor.

Eu simplesmente não consigo parar de ouvir esse disco.

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