Silent: AOR de qualidade no underground carioca

Data: 07/07/2017

Por Carlos Augusto Monteiro.

Oi pessoal, hoje começamos mais uma série aqui no Crazy Metal Mind, dessa vez intitulada “Underground brazuca”, com bandas de rock que lançam bons álbuns e estão na luta mantendo uma carreira, “apesar dos pesares” da indústria musical e da falta de popularidade do rock na grande mídia.

A primeira delas é a carioca Silent, de AOR, cuja carreira começou na década de 90, com um clipe veiculado no extinto programa “Demo MTV”, uma série de shows e até duas canções em trilhas de novelas da TV Globo. O primeiro álbum veio em 2001, “The Bright Side”, uma bela coleção de canções AOR e hard rock que não devia nada aos gringos. 

Em 2006, após um período sem o vocalista Gustavo Andriewiski, que culminou na interrupção da banda, o grupo voltou renomeado de Repplica, com Gustavo reassumindo o vocal, o baterista Luiz “Tilly” Alexandre e o guitarrista Alexandre França, todos da formação original do Silent.

Quatro anos depois, quando os amigos faziam planos de voltar com o Silent, o maior desastre climático no Brasil, em janeiro de 2011, assolou a região Serrana do Rio de Janeiro. Enchentes e deslizamentos vitimaram França, sua mulher, a estilista Daniela Conolly, e seu filho pequeno, e mais oito pessoas da mesma família. 

O choque deixou Gustavo e Tilly sem planos, porém após um ano a ideia de retomar o Silent ganhou força novamente, culminando em uma formação com Alex Cavalcanti na guitarra e Douglas Boiago no baixo.

O resultado foi o álbum “Land of Lightning”, que está completando um ano de seu lançamento agora em julho. É uma produção caprichada, que traz de volta os bons e velhos AOR e hard rock executados pelo grupo, com letras maduras e instrumental afiado. 

Para quem já conhece o Silent, ouvir “Land of Lightning” dá a sensação de já ter ouvido aquele som antes, pois em pleno 2017 é muito bom escutar um AOR tão bem executado em solo nacional. Ao mesmo tempo, não soa datado, com arranjos modernos.

E que coisa boa também a sensação de “volta para casa” que o disco traz. Conheci o Silent um pouco tardiamente, dois anos após o lançamento de “The Bright Side”, mas a patroa era fã desde a década de 90. Então sempre tivemos uma relação afetiva com o som dos caras, que, em 2008, na época do Repplica, até abriram o show de Jimi Jamison (ex-Survivor) e Jeff Scott Soto no Rio.

O álbum

Além da música de trabalho “Around the sun”, que tem belo clipe aproveitando a paisagem carioca na plataforma Vevo, são destaques ‘Gone”, as sensíveis “Where are we going now” e “ Bye Bye Superman” (cuja letra agridoce reflete a melancolia de ter que aceitar o crescimento, deixar as brincadeiras para trás e seguir seu caminho), os rockões “Numb” e “The one within”, a grandiosa “Land of Lightning” e a guitarra de França ainda presente na gravação de “Dancing in the morning light” (cuja letra conta que há um sentimento que “está em cada passo que damos, em cada canção que tocamos”).

Para os saudosos de “The Bright Side”, uma versão atualizada de “Love is” como bonus track fecha os trabalhos, mostrando que o Silent ainda vai fazer muito barulho por aí.

Confira abaixo três perguntas respondidas pelo vocalista Gustavo Andriewiski.

Entrevista:

Crazy Metal Mind – As letras me parecem bem maduras, tratando de perda da inocência, necessidade de seguir em frente e as dores do crescimento. Você considera este um album maduro?
Gustavo Andriewiski – Bom, não somos mais adolescentes e antes de escrever boa parte das músicas desse álbum passamos por grandes mudanças em nossas vidas pessoais culminando com o falecimento do Alexandre França. O tempo que eu morei nos EUA ajudou muito, eu fiz algumas parcerias que influenciaram bastante no meu jeito de escrever, inclusive algumas músicas do álbum são frutos dessa parceria, como Land Of Lightning e One More Time, escritas com meu amigo James Rose.

CMM – Além de ser oficialmente dedicado ao França, boa parte da letras parecem referir-se à sua morte e saudade e legado que deixou. Foi proposital?
Gustavo – Around The Sun foi resultado direto daquele momento. Um dia eu parei e imaginei como seria se a tragédia não tivesse levado a família toda (o Alexandre, a esposa e o filho)  e se um deles tivesse sobrevivido. Daí vieram a letra e música. O álbum fala muito sobre o despertar pessoal/espiritual pelo qual passei nos últimos anos e a partida do Alexandre faz parte disso.

CMM – Como você define o som e o momento do Silent hoje?
Gustavo – O Silent está sendo uma redescoberta e um grande aprendizado. A indústria da música mudou muito e estamos tendo que nos adaptar aos métodos atuais, com internet e mídias sociais dominando a cultura contemporânea. É tudo muito diferente e dinâmico. 
O som do Silent é um reflexo do nosso amadurecimento como músicos e compositores. O Land Of Lightning foi só o primeiro passo desse renascimento. Ele foi composto na maior parte durante o hiato da banda entre 2001 e 2010 e reflete todo esse período, uma mistura de hard e AOR oitentista porém atual. Já começamos a trabalhar o novo álbum e esse vai ter mais a cara do que a banda é hoje em dia, com a participação de todos os membros da banda nas composições, diferente do que foi o Land Of Lightning

Acompanhem o Silent em sua página oficial.

E fiquem com o clipe de “Around the sun”:

 

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