Elton John e sua entrada na realeza da música

Data: 22/03/2017

Texto por Daniel Ribeiro.

Você pode até não conhecer o Goodbye Yellow Brick Road, a obra-prima do Sir Elton John, mas é difícil argumentar contra ele, mesmo que ache o artista “pop demais”. Lançado em 5 de outubro, foi o seu segundo álbum de estúdio lançado em 1973, e seu sétimo em cinco anos. Ah sim, e era um álbum duplo!

Essa é uma quantidade surpreendente até mesmo para os artistas mais prolíficos, mesmo em uma época em que a natureza insaciável das paradas exigia produção constante. Só para se ter uma idéia, o Elton John lançou apenas quatro álbuns de estúdio, ou cerca de metade disso, nos últimos dez anos. Porém, naquele ano em particular, ele tinha que concorrer com o Dark Side of The Moon (Pink Floyd), Innervisions (Stevie Wonder) e Houses of the Holy (Led Zeppelin), entre outros.

Aquele era o seu reinado, e tamanho é o seu talento que reflete em uma série de sucessos, qualidade e humildade sem precedentes na história do rock. Ele teve seis singles N º 1 na Billboard na década de 70, em segundo lugar, perdendo apenas para os Bee Gees. Apesar de Goodbye Yellow Brick Road não ter tido tempo suficiente para vencer o álbum mais vendido de 1973 – foi o do War, The World is a Ghetto -, ele superou todos os outros recordes no ano seguinte. Elton John descreveu a época como um tempo "antes que as drogas se instalassem", e sua overdose em Los Angeles não viria até 1975, mas naquele momento, havia apenas a música, o estúdio e a estrada. Sem parar.

Elton escreveu a música para a maioria das letras em 20 minutos ou menos, fazendo com que o disco fosse concluído em apenas duas semanas na França, após uma tentativa abortada de gravar na Jamaica. A banda acordava de manhã para o café da manhã, o Sir se retirava ao piano para escrever, eles aprenderiam a música durante o dia, e normalmente não levava mais de quatro takes para finalizar.

Goodbye Yellow Brick Road é um álbum cheio de produções exuberantes e ricas, com cordas, sopros e efeitos sonoros em abundância em suas 17 faixas, bem no estilo “óculos com canudinho do Chaves” de seu autor. Cavalos galopam em "Roy Rogers", um vento arrepiante sopra através de "Funeral for a Friend", e uma multidão falsa aplaude o off-beat em "Bennie and the Jets".

Pop, rock, country, reggae, soul e R&B se fundem em um maravilhoso mosaico. Cada canção tem seu brilho próprio, as letras de Bernie Taupin misturam imagens de um passado cheio de melancolia e muitas vezes doloroso mas que você não pode realmente escapar, pois não importa como, há muitas estradas amarelas de tijolo das quais que você tentará fugir.

O disco encontra um artista no auge de seus talentos, num momento em que o mundo estava a seus pés. Elton John teve inúmeros momentos lendários em sua carreira, desde vencer o Oscar para o Rei Leão a entreter uma multidão no Central Park em uma fantasia de Pato Donald ou cantar no funeral da Lady Di, mas não há nenhum registro que captura seus dons maravilhosos mais perfeitamente do que Goodbye Yellow Brick Road. É o Dark Side of the Moon de Elton John.

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