O Fim.

Data: 30/11/2016

Texto por Rômulo Metal.

 

"Desde meu nascimento já criei bastante alvoroço, nasci causando. Meus pais contam que me fizeram logo após assistirem a um filme de terror, calculem, não poderia sair algo muito tranquilo daí. Meus primeiros anos de vida já foram conturbados e estranhos, ninguém me aceitava muito bem, logo de cara já soube que seria uma espécie de “patinho feio”, que sempre teria que lutar muito pra me tornar alguém.

Minha infância foi uma loucura, já deixou clara a adolescência excêntrica que viria pela frente. Eu era difícil. Contam-me que meus pais foram expulsos de casa quando eu nasci tamanho era o desgosto de me ter na família, porém, meus pais me criaram com muito amor, sempre se dedicando muito a mim. No começo eles se preocuparam bastante comigo, principalmente pelo meu desastre com as garotas, muitas vezes elas fugiam quando eu tentava uma aproximação, mas no fundo, meus pais sempre acreditaram em mim e tiveram orgulho.

A adolescência foi minha época de ouro, acabei ficando conhecido por todos. O patinho feio da infância se tornou algo forte, popular, mal encarado, aquela vibe meio badboy, mas as pessoas começaram a me aceitar e muitas se identificaram comigo, muita gente começou a gostar de mim, pessoas que me acompanham até hoje. Junto com a popularidade vieram os problemas em casa, meus pais começaram a dar prioridade pra outras coisas, me deixaram um pouco de lado, inclusive um saiu de casa. Foi uma perda muito difícil, ele estava incontrolável, era preciso, e no fim das contas foi bom, meu pai se saiu muito bem sem mim, e meu padrasto me adotou de coração aberto, acrescentou muito na minha formação e ajudou incontestavelmente no que me tornei hoje. Saudades, Ron, foi um grande pai adotivo, que Deus o tenha.

Como qualquer criança que nasce numa família não tradicional e que é visto com maus olhos pela sociedade, cresci forte, tendo que lidar com todos os tipos de problemas. Acabei me tornando um adulto incrível. Os problemas na família continuaram, muitos foram e vieram, mas eu já estava forte e as pessoas já me amavam, inclusive tive muitos filhos. Sério, são milhares de filhos, alguns que eu nem conheço dizem por aí serem crias minhas. Essa foi outra benção. Quando nasci eu era único, o mundo nunca havia visto nada parecido comigo, por isso me dei bem, consegui mudar o mundo à minha volta e até hoje sou responsável por grande parte do que existe por aí.

Enfim, chega de contar minha história, você deve conhecer. Todo mundo conhece. Vim aqui hoje pra falar que estou me aposentando, é, eu sei, é duro ouvir isso, acredite, falar também não é nada fácil. Mas sabe como é, estou com 47 anos, meus pais já não conseguem dar conta de mim como outrora. Mas fiquem tranquilos, meus filhos seguirão por aí por muitos anos, e obrigado do fundo do coração por estar até hoje ao meu lado, me amando e me idolatrando. É emocionante pensar em quantas vidas mudei, em quantas pessoas são apaixonadas por mim e em como continuarei presente na vida de cada um dos meus fãs, mesmo depois que eu for. Obrigado por tudo.

Ah, antes que me esqueça, quem quiser se despedir de mim, poderá me encontrar em novembro e dezembro no Brasil, serão minhas últimas apresentações. Quem não puder ir tudo bem, vocês fizeram muito por mim ao me acompanharem todos esses anos. Adeus.”

Em novembro/dezembro de 2016 a banda Black Sabbath fará suas últimas apresentações no Brasil.

 

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