Crítica do filme: “Jimi: All Is By My Side”

Data: 18/10/2016

Texto por Rômulo Konzen.

Já faz algum tempo que me deparei com este trailer:

Como bom fã de Jimi Hendrix, fiquei empolgado ao saber que teríamos uma adaptação para as telonas da vida de um dos maiores guitarristas que já andaram entre nós. Porém, acabei esquecendo do filme. Eis que semana passada, esbarro nele na categoria “adicionados recentemente” do Netflix. Corri para assistir.

"Decepção” é uma palavra que descreve bem o sentimento. O filme tem quase 2 horas de duração que poderiam ser facilmente comprimidas para 1h30, ou até menos. Super arrastado, com diálogos malucos que não levam a lugar algum e personagens que chegam a ser irritantes por sua construção medíocre e atuação insossa.

A trama nos conta apenas o início da carreira do músico, o lançamento de seu 1º álbum e sua volta aos EUA para tocar em um grande festival. Isso não seria problema se o filme não desse ênfase a cenas irrelevantes e nos deixasse apenas com o mínimo do que interessa (encontro de Hendrix com outros músicos e passagens que foram definitivas em sua carreira). O filme dá leves pinceladas em diversos relacionamentos do protagonista mas não nos faz se importar com eles, todas namoradas são substituíveis e o relacionamento conflituoso com seu pai resume-se a uma cena e uma menção.

Mas de todos os pontos negativos, o que mais me incomodou foi a edição, que numa tentativa falha de ser lisérgica, aplica várias quebras de continuidade, com enquadramentos estranhos e cortes abruptos, acompanhados de sequências onde o silêncio predomina (em determinado momento assistimos por 2 minutos Jimi sentando à mesa e ficando em silêncio até começar o diálogo – sem propósito narrativo algum – ).

Outra coisa estranha: a obra MAL toca uma música inteira de Hendrix. Não lembro de algum momento em que Jimi esteja cantando uma música que não seja um cover. 90% de suas apresentações durante o filme consistem em instrumentais e muitas vezes jams.

Para que a crítica não fique apenas negativa, o casting foi bem feito, todos os personagens conhecidos que aparecem são interpretados por atores muito semelhantes, desde o próprio Jimi (interpretado por André 3000, sim o cara do OutKast, a banda daquela música irritante “Heeeeey yaaaa”.) até Eric Clapton, Keith Richards e etc…

Como sou fã do Hendrix, e principalmente da história do rock, confesso ter ficado levemente alegre em assistir passagens interessantes, como o baixista do Animals se tornando empresário do guitarrista, Jimi tocando com o Cream, e seu relacionamento com a Linda Keith (namorada de Keith Richards da época). Porém essas passagens são feitas de forma tão mal construída que isso não sustenta o filme, proporciona apenas lampejos de sorrisos acompanhados da frase “olha aí”, durante 2 horas de muito tédio.

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