Richie Sambora mantém vivo o legado do Bon Jovi

Data: 11/07/2016

Texto por Carlos Augusto Monteiro, fotos por Isabel Trindade Monteiro.

O bom momento pelo qual passa o ex-guitarrista do Bon Jovi, Richie Sambora, é evidente pelo bom humor e descontração com que ele passou por São Paulo neste final de semana. Ausente da banda desde abril de 2013, quando decidiu abandonar uma turnê no meio, Sambora desde então resolveu passar mais tempo com sua filha, Ava, de 18 anos, e sair do ritmo louco de turnê-álbum-turnê de tantos anos seguidos. A insatisfação com os rumos da banda também são um provável motivo de sua saída, já que esse ritmo vinha resultando em produções de qualidade bem inferior ao histórico do Bon Jovi.

Nesse meio tempo, Sambora conheceu a também guitarrista australiana Orianthi Paganaris, de 31 anos, famosa por aparecer no documentário “This is It” na banda de apoio de Michael Jackson, que retratava o ensaio da famosa turnê que nunca aconteceu devido à morte prematura do astro. Orianthi tem uma carreira solo com três discos lançados e já tocou com Santana e Alice Cooper, entre outros.

A sintonia entre os dois, pessoal e profissional, fez com que o recém-formado casal programasse shows juntos e começasse a gravar um álbum, que eles pretendem lançar ainda este ano e que é o motivo de terem vindo tocar no Brasil.

Na coletiva de imprensa realizada na casa de shows Tom Brasil, pouco antes do show no dia 8 de julho, ficou claro que Sambora está querendo dividir as atenções com sua parceira.

“É a primeira vez dela no Brasil, mas eu perdi as contas quantas vezes vim pra cá. Talvez até antes de ela nascer”, brincou. 

Toda resposta que dava, não importando a pergunta, descambava para elogios rasgados a Orianthi, como quando foi perguntado pelo Crazy Metal Mind se pretendia focar sua carreira agora no blues, gênero que é uma de suas influências. “Nós estamos focados em tudo”, respondeu, para logo emendar contando como conheceu a nova namorada no Havaí, em um encontro com músicos como Alice Cooper, Sammy Hagar e Steven Tyler.

“Michael jackson quis ela, Alice Cooper também! Mas quem está com Orianthi agora? Eu! Ela é muito mais bonita do que eu”, voltou a disparar, com seu habitual bom humor.

Em outro momento, Sambora deu a resposta que já está decorada na ponta da língua, sobre a possibilidade de voltar ao Bon Jovi. O guitarrista usou como justificativa pela sua ausência o fato de terem excursionado por mais de 30 anos praticamente sem pausas.

“Erramos porque nunca paramos por um, dois anos. Sempre continuámos a gravar, a sair em turnê”. No entanto, ponderou: “Eu nunca digo nunca”.

Também na tentativa de mostrar que não é um artista solo, e sim uma dupla com Orianthi, Sambora encheu o show de covers de outras bandas para dar espaço a ambos brilharem na execução de seus instrumentos. Foi o caso de “When love comes to town”, do U2 com B.B. King, que abriu o show, e outras como “Voodoo Child”, de Jimi Hendrix, e “Black or White”, de Michael Jackson.

O músico matou a saudade dos fãs do Bon Jovi com cinco canções emblemáticas da banda: “Lay Your Hands on Me”, “Wanted Dead or Alive”, “I´ll be there for you”, “Livin´ on a Prayer” (essa em que começou errando, sem cantar a frase inicial “Once upon a time, not so long ago”) e “These Days”, uma das favoritas dos fãs, pouco executada ao vivo pela banda nos últimos anos.

Os momentos de seus álbuns solo foram vividos apenas com “Every Road Leads Home to You”, do mais recente, “Aftermath of the Lowdown” (2012), e a emocionante “Stranger in this Town”, do álbum homônimo de 1991. Ficou faltando executar alguma canção de “Undiscovered Soul” (1998).

Fazendo jus à informação dada na coletiva de imprensa de que está focado em “tudo”, e não apenas blues, Richie Sambora ainda passeou por alguns estilos, como o classic rock acústico de “Bad Company”, da banda de mesmo nome, e o reggae de “I Shot the Sheriff”, de Bob Marley, famosa na interpretação do seu ídolo Eric Clapton.

Show no Parque do Ibirapuera

Neste domingo (10/7), no show gratuito realizado no Parque do Ibirapuera, Richie Sambora e Orianthi fizeram uma apresentação mais reduzida, de cerca de uma hora e 20 minutos (ao contrário das quase duas horas no Tom Brasil), em que incluiu no set list “Midnight Rider”, dos Allman Brothers, recorrente em suas apresentações solo, e deixou Orianthi alterar uma de suas canções também.

Houve alguns problemas técnicos com o baixo e as guitarras (repetindo problemas semelhantes de audição da voz de Sambora no início do show do Tom Brasil), mas a apresentação foi emocionante, com o numeroso público em sintonia com os artistas.

A satisfação de Sambora no palco é evidente. Enquanto Jon Bon Jovi se constrange sendo obrigado a cantar em festas de casamento (basta ver o vídeo que circulou esses dias nas redes sociais), Sambora mostra que ainda leva adiante o legado do Bon Jovi que os fãs amam: boas músicas, boas performances e química entre músicos e plateia.

Nesta terça (12/07), no Pepsi On Stage, em Porto Alegre, será a última apresentação da dupla em terras brasileiras nessa turnê. Mais uma chance de ver o artista em boa forma musical, feliz e produtivo. Jon Bon Jovi que espere.

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