Bruce Kulick mostra solos do Kiss no RJ.

Data: 09/03/2016

Texto por Carlos Augusto Monteiro

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Ao contrário de todos os outros domingos, o fim do dia 6 de março não foi de depressão para os fãs cariocas da banda Kiss. O principal guitarrista da fase unmasked do grupo, Bruce Kulick, esteve na cidade para um show com os principais sucessos de sua passagem pelo Kiss, do qual fez parte entre 1984 e 1996, período muito especial para vários admiradores do quarteto de Nova York.

A Parasite Kiss cover, banda veterana de Porto Alegre, fez o show de abertura com compromisso e competência. Mascarados e imitando com perfeição os trejeitos dos integrantes, o grupo tocou oito músicas, focando mais no período dos anos 70, como “Deuce”, “Love Gun e “Black Diamond”, mas também deixando espaço para executar hits de outras fases, a exemplo de “Creatures of the Night” e “Psycho Circus”.

Para quem, como eu, não sabia que o show seria contínuo, foi uma surpresa quando a banda chamou ao palco a estrela da noite, Bruce Kulick.

Apesar do ótimo show de abertura, confesso que a primeira impressão não foi das melhores com a chegada de Kulick. Foi uma mistura estranha de sentimentos. Não houve separação entre o show de abertura e o principal. Assim, o guitarrista entrou meio de mansinho no show da banda cover e, ao contrário dos outros integrantes, obviamente estava sem maquiagem, gerando um choque visual. Além disso, em vez de ocupar o centro do palco, ficou ali, no cantinho direito.

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Claro que a competência da Parasite em nenhum momento pode ser negada. Mas esses shows em que o músico vem sozinho tocar no Brasil com uma banda de apoio às vezes causam um choque de expectativas.

No entanto, a impressão durou apenas alguns minutos, graças à simpatia de Kulick, a emoção de vê-lo ali tocando aqueles solos famosos e o entrosamento com a Parasite e seu instrumental perfeito.

Foi a primeira vez que o guitarrista visitou o Rio de Janeiro. Em 1994, ele tocou com o Kiss no festival Monsters of Rock em São Paulo e já veio outras vezes solo também.

A banda abriu com “Heaven´s on fire”, do álbum “Animalize”, na verdade foi gravado pelo falecido Mart St. John, substituído na turnê de divulgação do álbum por conta de uma artrite rara.

Ao fim da música, devido a um problema com uma microfonia, Bruce aproveitou para falar com o público enquanto o técnico arrumava o som. Comentou então da alegria de estar na cidade e desejou boa sorte aos cariocas com a realização das Olimpíadas, torcendo também para que “tudo ficasse pronto a tempo”! Esse está mesmo por dentro da complicada dinâmica brasileira!

Logo então veio “Domino”, do Revenge, um dos melhroes álbuns do Kiss, com seu riff “malandro”. Em seguida, uma das favoritas da fase farofa da banda, “Tears are falling”.

Nessa canção e todo o tempo do show, Bruce fazia caras e bocas. Como não é vocalista e fez apenas alguns backing vocals, o guitarrista interpretava as letras do seu jeito. Em “Tears” fingiu que chorava, arrancado risos da plateia.

A partir daí, os sucessos foram se enfileirando, Hide your Heart", a linda "Forever" e a pesadona "Unholy", e a animação do público já estavam bem alta. Contribuía para a emoção de todos a exibição dos vídeos originais no telão, como se nos lembrasse que realmente estava ali aquele guitarrista que abrilhantou o Kiss décadas atrás.

O coração farofa quase não aguentou quando veio um medley com “Crazy Nights” e “Turn on the Night”, essa então uma grande surpresa! A noite continuou lindamente com a bela “God Gave Rock n´Roll to you II”, considerada por Bruce “o verdadeiro hino do Kiss”. Nesse momento, foi impossível não lembrar também, por conta do vídeoclipe, do saudoso baterista Eric Carr, colega de banda do tempo em que Kulick esteve no Kiss.

Não podia faltar a inevitável “Lick it up”, originalmente gravada por Vinnie Vincent, mas já defendida pelo convidado especial da noite em muitas turnês.

As duas últimas foram canções da época em que Kulick nem sonhava em fazer parte do Kiss: a famosíssima “Detroit Rock City” e, claro, “Rock n Roll all nite”. Ao final desta, a exemplo de todos os shows da banda, houve uma chuva de papel picado, mas bem reduzida! Reduzida mesmo, só alguns pedaços arremessados por uma expectadora de cima do mezanino da casa, o que gerou muitas gargalhadas de Kulick.

E assim, em clima de alegria e celebração, terminou a turnê do guitarrista pelo Brasil, fechando-a “com chave de ouro”. O clichê foi bem apropriado, ao ser dito pelo “Paul Stanley” da Parasite, Felipe Piantá, imitando seu ídolo até nas famosas frases de efeito do Starchild.

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