Pearl Jam em Porto Alegre

Data: 17/11/2015

Por Christian Heit (Murilo Armageddon).

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Porto Alegre – Arena do Grêmio – 11/11/2015

Imagine um estádio com mais de 30 mil pessoas preparado para receber um show de rock de uma banda que tem mais de duas décadas de estrada, milhões de discos vendidos e é um ícone do grunge. A banda entra no palco e começa o show com três músicas lentas. Essa é a confiança que o Pearl Jam tem no seu taco.

Se apresentando pela terceira vez em Porto Alegre (a primeira foi há 10 anos no Gigantinho e a segunda, coincidentemente, no 11/11 de 2011, no Estádio Zequinha), o Pearl Jam novamente apresentou uma performance que esbanjou vitalidade, entrosamento e experiência. Ainda que a chegada dos membros à faixa dos 50 anos tenha um peso natural em qualquer banda, é impressionante a disposição da caravana de Eddie Vedder de seguir empolgando com shows de 3 horas, que cobrem justamente todas as fases da carreira, conseguindo espaço para tocar desde um número generoso (5) de músicas do último disco, Lightning Bolt, até boa parte dos hits do seu vasto catálogo.

É bem verdade que essa enxurrada de músicas impõe um ritmo acelerado na execução de alguns segmentos, causando leve prejuízo em músicas de natureza mais cadenciada como Given To Fly. Curiosamente, por outro lado, é justamente a extensão de Porch que diminui bastante o fervor da música. Outro pequeno revés da apresentação foi o som um pouco abafado e não potente como se esperaria num estádio, o que durou até a pausa antes do primeiro bis (curiosamente num ponto que é mais ou menos a metade do show, devido à bem-vinda extensão destes segmentos), quando realizaram algum ajuste e houve melhora na qualidade.

Sempre carismático, Eddie Vedder encontra espaços entre algumas músicas para conversar com o público através de bilhetes em português. Como há quatro anos, lamentou estar ausente no aniversário da esposa e pediu para que o público cantasse os parabéns para ela. Em outro momento, comemora a presença de um casal que se conheceu no show de 2011. A interação positiva com o público atinge o ápice quando o baterista Matt Cameron presenteia com baquetas e munhequeiras um fã com Síndrome de Down presente na primeira fila, ganhando destaque nos telões.

Como ressaltei na resenha do show passado, o engajamento do público com as músicas fica um pouco a desejar, salvo em alguns dos hits mais populares por aqui como Alive e Last Kiss. Já parece comportamento consagrado dessa época querer mais registrar o show do que participar dele (é muito chato bater nessa surradíssima tecla outra vez – e ainda assim é menos chato que vários braços levantados à sua frente). A dinâmica também foi prejudicada por um espaço incomumente excessivo dado ao setor da pista VIP, que ocupava cerca de metade do gramado, tanto que foi aberto para que alguns fãs da pista normal tivessem a sorte de serem chamados para preencher os espaços até o setor ficar com um visual mais robusto. Foi mais um problema que poderia ter sido evitado não fossem cobrados preços tão exorbitantes pelos ingressos que, não à toa, com a proximidade do show, começaram a ser vendidos em pacotes promocionais de sites de venda coletiva.

São alguns percalços que passam longe de comprometer seriamente o show de uma banda do naipe do Pearl Jam, que se mostra à vontade como numa noite com amigos próximos, justamente o tom que parece ter a apresentação, também pela inclusão de diversos covers, cujo destaque em Porto Alegre foi Comfortably Numb, do Pink Floyd, estreando no repertório. E, após três apresentações pujantes na cidade, é assim que esperamos que a banda se sinta, em casa, para voltar sempre que possível.

SETLIST

Pendulum

Release

Elderly Woman Behind the Counter In A Small Town

Mind Your Manners

Animal

Do The Evolution

Interstellar Overdrive (Pink Floyd cover)

Corduroy

Lightning Bolt

Faithful

Even Flow

I Got Id

Lukin

Not For You

Sirens

Let The Records Play

Spin The Black Circle

Rearviewmirror

Bis 1:

Last Kiss (Wayne Cochran cover)

Hard To Imagine

Wishlist

Jeremy

Glorified G

Better Man

Go

Porch

Bis 2:

Comfortably Numb (Pink Floyd cover)

Why Go

Given To Fly

Black

Alive

Fuckin’ Up (Neil Young & Crazy Horse cover)

Yellow Ledbetter

Resenha do show de quatro anos atrás: http://crazymetalmind.com/2011/11/17/pearl-jam-no-estdio-zequinha/

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