Roger Waters – The Wall (Resenha)

Data: 01/10/2015

Por Carlos Augusto Monteiro.

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Roger Waters exibe show e road movie em documentário baseado em “The Wall”.

Roger Waters, o ex-baixista do Pink Floyd, nunca fez as pazes com seu passado. A morte de seu pai, durante a 2ª Guerra Mundial e quando ainda tinha cinco meses de vida, o traumatizou para sempre, como uma sombra a segui-lo por todos os seus 72 anos de vida.

Fruto dessa tragédia familiar, a ópera rock do hit “Another Brick in The Wall – Part 2” ganhou um documentário definitivo com “Roger Waters – The Wall”, exibido mundialmente às 20h da última terça-feira (29) e ao qual tive o prazer de assistir no Rio de Janeiro.

Mistura de show e road movie, baseado na turnê de sucesso que passou pelo Brasil em 2012, o novo documentário recria esta obra prima, que já teve outro registro para o cinema com o filme “The Wall”, dirigido por Alan Parker em 1979. Em 1990, após a queda do muro de Berlim, Waters também recriou o show na cidade com vários convidados, com transmissão pela TV à época e lançamento posterior em DVD.

A trama que embala “Roger Waters – The Wall” segue o músico em uma viagem por França e Itália em busca de locais históricos por onde seu pai e seu avô lutaram na duas guerras mundiais. A emoção está presente a todo momento nesta viagem, quando, por exemplo, Waters lembra que, da mesma maneira que seu pai o deixou durante o 2º conflito, seu avô fez o mesmo com seu pai, na 1ª Guerra.

As partes de road movie também mostram outras cenas emotivas, como quando o músico chora ao reler a carta que sua mãe recebeu comunicando a morte de seu pai. Takes como esses são combinados com imagens do baixista dirigindo sozinho ou com convidados, em uma série de diálogos interessantes.

Entremeando esses momentos, está o show propriamente dito, que recria a saga de Pink, o músico que vai se isolando completamente da fama até enlouquecer. O aparato tecnológico é incrível, com destaque para o extenso telão de altíssima resolução que cobre todo o palco.

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Ficamos surpresos ao ver como esta obra, considerada a melhor do Pink Floyd junto com “The Dark Side of the Moon”, continua fazendo sentido, representando as opressões de governos e polícias de todo o mundo, com sua mensagem universal.

É bem provável que o trauma da perda do pai na vida de Waters não tenha terminado com a realização do documentário. No entanto, os fãs ganharam um belo registro visual e sonoro de um álbum que influenciou toda uma geração e continua agradando as novas.

No fim do documentário, não perca a histórica entrevista com Waters e Nick Mason, ex- baterista do Pink Floyd. Eles respondem com muito humor a algumas perguntas dos fãs recebidas pela internet. Com seu refinado humor inglês, Mason rouba a cena, ao mesmo tempo em que a dupla toca em vários pontos controversos da história da banda, como a separação dos integrantes e o dia em que Waters cuspiu em um fã, momento que motivou a concepção de “The Wall”.

O bom humor e o distanciamento com que Waters e Mason respondem às perguntas mostra que envelhecer derruba velhas crenças. E, principalmente, vários dos muros de isolamento que erguemos ao longo da vida.

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