Guns N’ Roses em Porto Alegre – 2014

Data: 11/04/2014

 

Por Daniel Iserhard.

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Há uma semana atrás acontecia o segundo show do Guns N’ Roses em Porto Alegre, 4 anos depois do primeiro.

Sendo eu como sou, JAMAIS deixaria de presenciar o show da minha banda preferida (até hoje) e com o cara que foi minha maior influência pra entrar no SUBMUNDO da música: Sr. Axl Rose, também conhecido como William Bailey ou Leôncio.

O mais chocante de tudo é que o show dessa vez foi ainda melhor que o de 2010. O que pode se ver no palco foi um Axl Rose simpático e feliz com o que estava fazendo. A crítica fica por conta do lugar, que era fechado.

Em 2010 o show havia ocorrido no estacionamento da FIERGS, um espaço gigantesco, onde também ocorreria, um ano depois, o show do Aerosmith.

Esse ano a produtora não se garantiu e resolveu vender o show dentro do pavilhão, um espaço infinitamente menor e, como a maioria dos pavilhões mundo afora, tem o problema sério de reverberação excessiva.

Mas enfim, não vim pra comentar a questão técnica.

Os amigos leitores desse blog podem dizer, choramingar, espernear: “Mas esse não é o Guns, é a banda do Axl”.

SIM AMIGOS, mas o Guns não existe sem Axl Rose, o mundo gunner sempre girou, como Axl previu, em volta dele. E ele enche o lugar que tocar. Aliás, o amigo espertalhão tratou de montar uma banda com a cara do Guns antigo. Um guitarrista carismático com uma cartolinha remendada e que corre o tempo todo pra lá e pra cá, que interagiu com a galera, desceu do palco, correu pelo meio do povo (alguém lembra do famoso show de Tóquio ‘92?).

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Na volta, ao tentar subir no palco pela ponta, foi confundido com um fã (????) pelo segurança e no melhor estilo gunner, ao ser puxado pelo supracitado, desferiu 2 socos na cara do pobre homem. E voltou pra tocar. Pra quem ainda não conhece, apresento DJ Ashba.

O baixista é o cara que curte punk rock e que, nos shows, canta covers de punks famosos. Alguém viu Tommy Stinson e lembrou do Duff? Eu sim.

A conta só não fecha porque o batera Frank Ferrer em nada lembra nenhum dos anteriores e há um guitarrista a mais, que eu chamo de Ron "Bumblefoot" Thal, porque ele foge dos padrões antigos e é um segundo “solista”, a metade do Slash que tocava a guitarra double neck, marca registrada do Bumblefoot. Por sinal, foi o cara que arrancou aplausos da galera ao tocar o “tema da vitória” do Ayrton Senna, num arranjo muito louco.

A banda tem na guitarra base o Richard Fortus, a cara, a discrição e o jeito do Izzy. Pra finalizar, o tecladista ainda é o mesmo dos Illusion, o indefectível Dizzy Reed. A banda ainda conta com Chris Pitman nos teclados.

O show começou, como tem sido sempre, com Chinese Democracy, música do último e homônimo álbum. Pra não deixar a galera desanimar (porque sempre tem as múmias que vão pra ouvir “sweet child o’mine e mal conhecem as outras).

Em seguida, começa o riff de Welcome to the Jungle e o pavilhão TREME pela primeira vez. O público fica LOUCO, aproveitando que o calor ainda não tinha ficado infernal (outro problema dos lugares fechados). O show seguiu com mais 2 músicas do Appetite: It’s so Easy e Mr. Brownstone.

A quinta música era uma das mais esperadas e que não havia ainda entrado em outras turnês do novo Guns: ESTRANGED. Sou suspeitíssimo pra falar porque é minha música preferida de todos os tempos e ver o sr. Axl cantar ela ali, na minha frente, foi bastante emocionante. Quando olhei em volta e vi o pessoal chorando, vi que a emoção era generalizada. Alguns (eu) já sabiam que ela viria e seria a quinta, mas pra muitos que não conhecem o GOOGLE, foi uma surpresa. A melhor surpresa que o Guns poderia ter mostrado pros fãs. Foi o grande momento, sem dúvida.

O show seguiu com Rocket Queen, Better, Used to Love her e, nova surpresa: Nice Boys, música da banda Rose Tattoo (isso também muita gente não sabe) e que está no segundo álbum do Guns, o GN’R Lies . O mais incrível é que a voz nova do Axl encaixou perfeitamente nessa música, como as novas costumam encaixar.

Na sequência veio Live and Let Die, This I Love e Holidays in the Sun, cover de Sex Pistols e, obviamente, interpretada pelo Tommy Stinson.

Pra levantar a galera de novo, depois do descanso, Axl volta arrebentando tudo com You Could Be Mine, pra logo depois emendar a música pras moças de vestido curto, salto alto e sem noção: Sweet Chil O’ Mine. Outro momento em que os casais se beijavam e o povo cantava em uníssono e alto, muito alto.

Mais uma jamzinha do pessoal da banda e surgem os roadies carregando o piano. Já se anunciava November Rain, um clássico absoluto e que sempre está presente nos shows. No clima de baladinha e pra fechar a trilogia, vem Don’t Cry. Mais um povo chorando e o refrão cantado por sabe-se lá quantas mil pessoas.

A essa altura, do meu lado já tinha caído a primeira vítima do calor. Pra dar uma acalmada no povo vieram duas do Chinese: Catcher In The Rye e Shackler’s Revenge. Na primeira, Axl, sendo Axl, xinga um segurança, dizendo pra deixar quieto lá embaixo porque estava tudo bem. Esse foi o segundo momento axlroseano. O primeiro foi no começo do show, quando Axl parou uma música pra reclamar do retorno, prontamente arrumado, antes que um microfone pudesse voar. Ao contrário do antigo Rose, como comentei no início, o humor do cara estava ótimo. Logo pediu desculpar pela interrupção e recomeçou a música, o que aliviou muita gente, porque o histórico dele não dá espaço pra tranquilidade quando ele para um show no meio.

O show fecharia com Nightrain, outro clássico do Appetite, antes do bis. Nesse momento do calor, Axl mostrando mais da sua simpatia, jogou vários copos d’água pra galera que passava um calor já infernal.

O esperado bis veio com outros dois clássicos. Quando os guitarristas chegaram com violões fazendo uma jam, já sabíamos que era Patience, “a música do assobio”, como dizem os mais incautos.

Pra finalizar, não podia ser outra que não Paradise City, momento em que a FIERGS tremeu como em Welcome To The Jungle. A música, que já tem pegada, contou com a correria da banda pelo palco, com o público pulando o tempo inteiro e com canhões de papel picado e gelo seco. O final apoteótico que um show do Guns N’ Roses merece que ainda teve como cereja do bolo, o microfone atirado pelo Lêoncio pra galera.

Desafio UMA PESSOA que tenha ido ao show, dizer que não curtiu MUITO. A propósito: viúvas do Slash, não me incomodem.

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