Mastodon, peso e originalidade

Data: 15/10/2013

Por Cassiano Becker.

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Um estilo tão amplo como o rock traz muitas bandas que soam como outras, mostram uma cara que não é a sua. Mastodon não é dessas.

Apesar de ter começado com o típico "os caras que se mudaram de sei-lá-onde e encontraram outros caras que curtiam o mesmo som", pouco do que segue na carreira da banda é comum ou convencional.  Brann Dailor e Bill Kelliher trocam Nova Iorque por Atlanta e conhecem Troy Sanders e Brent Hinds em um show. Gostos em comum levam os quatro a tocarem juntos. Ponto.
O clichê acaba aqui.

Remission (2002) – o elogiado primeiro álbum

As influências estão ali pra você ver (ou escutar), mas o que dá notoriedade ao Mastodon desde o lançamento de seu primeiro EP -  Lifesblood, de 2001 – é a originalidade de tudo que eles fazem. Os rótulos dizem sludge metal e metal progressivo. A verdade é que o Mastodon permeia por estilos diferentes à vontade.

Leviathan (2004) – o crescimento de um montro.

 

Os 4 primeiros álbuns do grupo são conceituais. Remission tem como o tema o fogo. Dailor, o baterista, queima toda a dor reprimida do suicídio de sua irmã, quando era adolescente, neste trabalho. Leviathan representa o elemento da água e traz canções inspiradas no clássico Moby Dick. O terceiro trabalho, Blood Mountain, é a terra. As montanhas, as florestas e suas criaturas. Fechando os quatro elementos, Crack the Skye não representa necessariamente o ar, mas o éter, o espírito de todas as coisas, as viagens extra-corpóreas. Mais um vez, Dailor presta tributo à irmã.

Blood Mountain (2006) – o desespero da presa.

 

Diferente dos anteriores, "The Hunter", o quinto e mais recente, não mostra um trabalho conceitual. Porém, mantém os aspectos que fizem a banda chamar a atenção de nomes como Josh Homme e do arroz de festa Dave Grohl. Tem solos meio surf music, tem experimentalismo, tem mudanças de tempo bem progs, mas em qualquer ponto musical que a banda vá, o chão treme. Um peso brutal que faz jus ao seu nome.

Crack the Skye (2009) – a jornada do espírito e do universo.

Mais de uma década após o lançamento de seu primeiro trabalho, o Mastodon mantém-se com uma como uma das grandes esperanças do seu gênero, seja ele qual for. Aclamada desde o início da carreira, a banda possui uma gama de prêmios formais, em conjunto e individuais para seus integrantes, assim como a participação em uma série de listas informais dos melhores dos últimos anos.

The Hunter (2011) – a criatura vive

 

Ao ostentar criatividade e personalidade, o Mastodon garante seu lugar entre os grandes do rock atual. Uma carreira que só aumenta a expectativa para o próximo trabalho, prometido para 2014. Que seu urro ecoe mais uma vez.

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