Matanza e B. Negão em Porto Alegre

Data: 12/06/2013

Por Cassiano Becker.

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"Esta noite eles virão e não vai sobrar nada de ninguém".
Com essa premissa, uma nuvem negra se aglomerou em frente ao Bar Opinião, no último domingo, nove de junho. Entre as camisetas pretas, as barbas compridas e os cabelos desgrenhados, via-se o brilho da brasa dos cigarros e a ansiedade pelo tempo ruim que se armava dentro do bar.

A movimentação era intensa, na entrada do saloon, e os que chegaram às 20 horas puderam acompanhar a pontualidade das primeiríssimas notas, ecoando da guitarra da Zerodoze. Com presença e som claramente inspirado em Metallica, o trio gaúcho abriu a noite marcando o padrão de peso e rock ‘n roll. Seguindo, vieram ao palco os paulistas da NervoChaos, como que em um aviso que a noite teria também velocidade. Entre urros monstruosos, os dreads dos integrantes voavam livres, estabelecendo um ritmo digno de seu instrumental violento. As apresentações de abertura criaram o clima, as luzes baixaram e o exército de camisetas pretas clamava pelos seus líderes. Em meio aos gritos de "Matanza, Matanza!", eles subiram ao palco.

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Não havia escapatória. Os ânimos estavam exaltados e as mentes embriagadas. As belezinhas de jaqueta de couro se juntavam aos barbados e cabeludos, os punks aos metaleiros. Uma ovação em uníssono ao primeiro sinal da atração principal.

Como de costume, a banda chegara pisando forte e de cara fechada. Engatando uma porrada na outra, o evento logo tomou proporções dignas de sua expectativa. A temperatura do local tornou-se nitidamente mais alta e as rodas punks eram comuns. As gotas de suor se desprendiam dos cabelos encharcados e cruzavam o ar saturado pelos gritos da plateia. Cada comando de Jimmy, com o punho cerrado, alto no ar, era prontamente respondido com punhos em riste e gritos de aprovação. Logo, muitos já haviam esquecido de uma das máximas da banda. "Tudo vai ficar pior".

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Já havia passado aproximadamente uma hora de show e outra parte da atração finalmente subiu ao palco. Com apresentação de Jimmy, B. Negão finalmente se somava ao evento.

Como adicionar carvão, enxofre e salitre, Negão trouxe nova vitalidade ao show, metendo o pé na cara de quem trazia alguma desconfiança de seu potencial. Por vezes, ele e Jimmy se alteravam nos vocais, por outras, se somavam para um ganho significativo em periculosidade.

A apresentação foi encerrada com a violência de Intercetor V6, mas, antes, haviam sido tocados clássicos da banda intercalados com as explosivas canções do novo álbum, "Thunder Dope", de 2012. Teve até cover de "Jailbreak", do AC/DC. A noite termina retornando ao lado de fora do saloon. Lá, havia, novamente, uma nuvem negra. Nela, não havia saco cheio ou mau humor. Havia satisfação por cada hematoma. Por cada gota de suor derramado. Não havia arrependimento pelos músculos doloridos, nem pela ressaca do dia seguinte.

"Por que bom, bom mesmo, é quando faz mal".

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