As idas e vindas do rock.

Data: 15/05/2013

Por Thiago Mendes.

Sempre escuto frases feitas do tipo “não se faz mais música boa!” ou “esse sertanejo universitário é uma praga”. Como acadêmico envolvido com música, não posso simplesmente gostar só de rock e ignorar o mundo (mesmo que me permita momentos nada acadêmicos de puro hard rock). Digo isso por que sou obrigado a observar a música como um fenômeno social que denuncia o contexto e que, evidentemente, não é sempre favorável ao bom e velho rock.

Mas porra (e isso não foi nada acadêmico mesmo), o cenário atual de música mandou o rock pra bem depois do underground. Não o poprock, que de fato é mais pop do que rock, mas o rock de verdade em todas as suas vertentes. E agora?

Na boa, isso é fase, vai passar, mas não vai ser igual e é bem fácil de provar. Quer ver?

Quando o sr. Bill Halley e os seu Aerolitos resolveu tocar rock ao redor do relógio, e esse tal de rock’n roll viralizou, ninguém fazia a menor ideia de que esse novo ritmo se tornaria um grande apanhado de gêneros, se reinventando e se adaptando. A segunda metade da década de 50 e a década de 60 foram de total hegemonia do rock. Certo?

(Bill Haley and His Comets)

Bill_Haley___His_Comets-2

Começando pelos clássicos, Little Richard, Elvis, Chuck Berry e indo até o Ritchie Vallens com aquela coisa grudenta do “La Bamba”, só se ouvia Rock N’ Roll, e música negra no mainstream. Por música negra, me refiro ao tripé Rhythm N’ Blues, Soul e Funk (não o carioca, por favor). Essa era a época onde a Tina ainda levava uns boxes do Ike e não existia lei Maria da Penha.

A lógica de “Underground” não ocorria nos anos 50 e nos 60 rola a mesma coisa. Hendrix, Janis, The Doors, Beatles, Stones, Clapton, Creedence e por aí vaí. Isso era estupidamente mainstream. Em 1968, no auge do anos 60 nos States e na Inglaterra, vimos explodir o rock e surgir uma série de bandas que seriam ícones, como Deep Purple e Led.

(Eric Clapton)

clapton

Que tempo bom que não volta nunca mais, é isso? Desse jeito é.

Sistematicamente, o rock passou de elemento cultural da contracultura (ou seja, sou jovem, rebelde e quero chocar, de uma forma não galinácea nesse último) para principal expoente da cultura popular jovem desse período.

No final dos anos 60, todo bunda mole ouvia rock.

Nos anos 70, o movimento Disco, que aparece como a outra coisinha exótica do momento iria roubar o mainstream do rock. Pra piorar, nos anos 80 o pop seguiu o embalo e atirou o rock mais pro underground. Por 20 anos, rock foi coisa de maconheiro, de gente suja, de chinelo. Por que o mainstream estava usando polainas ou calças bocas-de-sino e chacoalhando o esqueleto. Até o Kiss meio que entrou nessa porra toda.

Nos últimos anos o rock ensaiou uma volta ao mainstream. Grunge nos anos 90, o rock moderninho do White Stripes, Arctic Monkey e Franz Ferdinand nos 2000, e por aí vai. O único subgênero de rock que acaba por sobreviver é o poprock que, como falei, é mais pop do que rock na sua grande maioria. O que não significa que é ruim. Mesmo os mais psicopatas do rock (exceto os do black metal norueguês, esses não sabem brincar), admitem que o U2, por exemplo, é uma banda que não pode ser chineleada. Eu acho U2 foda, mesmo sendo ultrapop.

(U2)

u2-in-concert

Penso que hoje o rock nunca esteve tão longe do mainstream. Salvo algumas coisas legais como Ghost (Não! Avenged Sevenfold não é legal!), e Chicken Foot, há muito pouco de novo com a qualidade necessária pra manter meu interesse. E além de tudo, está underground pra caralho.

Na boa. Futurologia é uma coisa bem inexata. Mesmo assim, olhando esses ciclos de “puxa e empurra” do rock nos últimos 40 anos, e entendendo os seus por quês, arrisco dizer que estamos no silêncio que precede o esporro.

Acho, e quero muito achar, que o rock vai voltar com tudo em um futuro não muito distante.

Por que Lek lek lek é a puta que os pariu.

Let’s play ROCK!

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