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PS: Post feito por Christian Heit (o popular Murilo Armageddon)

Roger Waters (Estádio Beira-Rio, Porto Alegre, 25/03/2012).

Passados precisos dez anos e treze dias desde sua única passagem por Porto Alegre, Roger Waters voltou a apresentar, na noite passada, um espetáculo grandioso e único. Difícil descrever em palavras. Desta vez não passou sua carreira a limpo, mas focou na execução daquele que é um dos discos mais complexos e debatidos da história do rock: The Wall, do Pink Floyd.

Fazendo um resumo, pra não me alongar no que pode ser o tema de um promissor Podcast do site, Waters conta a história (de grande teor autobiográfico) do roqueiro Pink e seu eventual colapso, lidando com traumas como o falecimento do pai na Segunda Guerra Mundial, uma mãe opressora e casamentos fracassados, ao longo da qual ele constrói o tal “muro”, o qual ele utilizará para se alienar do mundo e das pessoas.

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As cerca de 48 mil pessoas que compareceram ao estádio, puderam ver a execução de um show que sofre poucas modificações com o passar dos anos, como algumas canções em versões estendidas e inclusão de duas que não estão no disco original, “What Shall We Do Now?” e “The Last Few Bricks”. Vale ressaltar que em cada cidade que passa a turnê, há um grupo diferente de crianças que participa da execução do maior dos clássicos do Pink Floyd, “Another Brick In The Wall, part 2”, e, nesse caso, faziam parte da ONG Canta Brasil, da cidade de Canoas.

Como nas grandes turnês do Pink Floyd, a estrutura do espetáculo é colossal, contando com bonecos, fogos, atores e imagens que vão sendo projetadas no telão e imenso muro de 137 metros de comprimento por 11 de altura, que vai se erguendo ao longo da primeira metade do show.

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Com tantas metáforas que podem ser associadas ao muro, o ex-líder do Pink Floyd se mostra atualizado em temas políticos-culturais, os quais debateu ao longo de boa parte da carreira e obra. Portanto, não é surpresa as mensagens contra o “terrorismo de estado” que ocasionalmente surgem na projeção e até em um dos bonecos do show: um porco que trazia, inclusive, citação indignada contra o atual preço da passagem de ônibus em Porto Alegre, gravada em sua barriga. E, como já havia feito no show do Chile, Waters presta homenagem a Jean Charles de Menezes, brasileiro morto por engano pela polícia de Londres em 2005, dedicando o show a ele.

Com um apelo universal e temas que não se desgastam com o tempo, é fácil explicar a disposição de Roger Waters de seguir encenando, 33 anos depois, a catártica obra pela qual expiou seus traumas e que certamente lhe foi (e ainda deve ser) muito emocionalmente demandante. Em dado momento do show, Waters explica que, em 1978, escreveu The Wall sobre ele mesmo, mas hoje percebe que é sobre todos nós. Nesse caso, pelo evento inigualável e música atemporal, de todos nós, muito obrigado.

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Fotos de Cristina Sturm.

Let’s play ROCK PROGRESSIVO!